Author Archive:


Reviews #145 – Sanitário #1 – O Mundo Ainda Não Acabou (Coletivo WC)

Publicado por na categoria Reviews em December 21st, 2012

No Gravatar

“Ainda da tempo de salvar as florestas pelo Facebook”

Capa

Capa

Quem tem passado por aqui nas ultimas semanas tem percebido uma cara nova no Pulapirata. Samuel de Góis. Conheci o cara tem dois dias the life sometimes is so unfair with my time no lançamento em Manaus da Revista Sanitário #1 – O Mundo Ainda Não Acabou do Coletivo WC (sanitário, WC, hã? hã? Hã?) juntamente com o lançamento do clipe da música “Calo” da Banda Amazonense Malbec com produção do próprio Pulapirata em parceria com a 602 Films.

Para fazer as devidas apresentações, deixo aqui na íntegra a descrição do coletivo: “Os quadrinhos da Paraíba não estão mortos. Eles respiram, transam, têm filhos, pegam DSTs e não querem viver (ou morrer) dependendo de verba pública. O Coletivo WC é um grupo de quadrinistas com o objetivo de divulgar seu trabalho e assim obter fama, fortuna, sexo e um enterro digno. Fazemos webcomics para salvar a floresta amazônica.”

É bastante prazeroso encontrar quadrinistas independentes pelo país. Por morar em Manaus, existem poucas oportunidades. Não pela falta de entusiastas, mas por que poucos têm a coragem de botar a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. Ver um grupo como o Coletivo WC lançando um material de qualidade é bastante significante para incentivar nossos artistas a tomarem vergonha na cara e lançarem um material próprio. Com isso só posso dizer que é um prazer enorme ler Sanitário #1.

Entre Tiras - João Neiva Peregrino

Entre Tiras – João Neiva Peregrino

Com participação especial de Ryot, Sanitário #1 conta com a colaboração de mais 9 artistas que são:  Samuel de Góis, Will Simões, Thais Gualberto, Igor Tadeu, Jorge Elô, Lauro Perazzo, Ricardo Jaime, Thiago C.A. Leal e João Neiva Peregrino.

Entre eles, dou destaque a “Melancolia” da Thais Gualberto, “We’ll be fine” do Igor Tadeu, a arte FODÁSTICA de “É esse o fim?” de Ricardo Jaime e a incrível “entre tiras” do João Neiva Peregrino que é uma diversão a parte na revista. Se tu ler, tu leu. =D

Ricardo Jaime

Ricardo Jaime

Parabéns ao Coletivo WC pela inciativa e pelo produto. Dez dilmas é pouco pela qualidade do material.

COLETIVO WC APRESENTA: SANITÁRIO #1 – O MUNDO AINDA NÃO ACABOU

FORMATO
: 16,4 x 25 cm (couché)
PÁGINAS: 40 páginas p&b
PREÇO: R$10,00 (Mais Frete)
TEXTO/Arte: Coletivo WC (Ryot, Samuel de Gois, Will Simões, Thaïs Gualberto, Igor Tadeu, Jorge Elô, Lauro Perazzo, Ricardo Jaime, Thiago C. A. Leal e João Neiva Peregrino)

Reviews#134 – Os Três Mosqueteiros (Jean David Morvan, Michel Dufranne, Rubén Del Rincón e Marie Galopin)

Publicado por na categoria Reviews em November 21st, 2012

No Gravatar

Um por todos, e todos por um!

Capa da Edição Brasileira pela Editora Salamandra.

Capa da Edição Brasileira pela Editora Salamandra.

Sinopse: Alexandre Dumas inspira-se livremente na Memória de D’Artagnan, para contar as aventuras de um gascão de dezoito anos. Esse jovem de sangue quente deixa a terra natal para se apresentar em Paris com a recomendação do pai ao fidalgo de Tréville, capitão da Companhia dos Mosqueteiros. Segue-se uma série de acontecimentos que fazem com que D’Artagnan tenha de duelar com os três mosqueteiros – Athos, Porthos e Aramis – e os guardas do cardeal Richelieu… As trepidantes aventuras do jovem estão apenas começando!

Os Três Mosqueteiros é um romance de 1844 escrito pelo francês Alexandre Dumas que vem cativando e influenciando diversas histórias de aventuras até hoje. D’Artagnan e seus três companheiros, Athos, Porthos e Aramis, recriam fatos históricos do reinado de Luis XIII e Luis XIV e da regência instalada entre os dois reinados. Essa obra, originalmente planejada para ser uma trilogia, mas foi lançada em folhetins por um jornal francês chamado Le Siècle, já foi adaptada e revisada diversas vezes em outras mídias com cinema, novelas, contos, animações e quadrinhos. Aqui contamos com a adaptação da obra feita por Jean David Morvan e Michel Dufranne (roteiro) e Rubén Del Rincón (arte) e Marie Galopin (cores).

A Editora Salamandra não possui como sua principal atividade o quadrinho, mas sempre que deu as caras por essa mídia o fez de forma bastante agradável. Nessas suas aventuras no meio, sempre deixou bem claro sua intenção de entregar essas obras, em sua totalidade adaptações literárias, para o mercado educacional de incentivo a leitura, tendo como exemplo disso Frankenstein e Robson Crusoé, lançados em 2009 e adotados pelo Programa Nacional Biblioteca Escola (PNBE).

Interior da Edição Francesa (Original)

Interior da Edição Francesa (Original)

Conheço a história dos Três Mosqueteiros desde muito pequeno, quando vi pela primeira vez a adaptação da obra por Stephen Herek para os cinemas (talvez por saudosismo, mas para mim a melhor adaptação para o cinema já feita da história) com um elenco bem interessante com Charlie Sheen, Kiefer Sutherland, Chris O’Donnell, Oliver Pratt e diversos outros atores que se confirmaram como grandes com o passar dos anos. Mesmo não conhecendo a obra na integra, sempre tive curiosidade e acompanhei tudo que tive oportunidade de conhecer desde então.

Isso não me faz um especialista da obra, mas devo dizer que a história não é uma novidade. Não que isso seja desagradável. Na verdade, acho cada vez mais agradável como cada adaptação que vejo possui sua própria personalidade, pontos positivos e negativos, alguns para jovens, outros para adultos e outros para crianças. No caso desse quadrinho em questão, esse agradável chegou a um novo nível devido ao carinho e a qualidade do material apresentado.

Interior da Edição Francesa (Original)

Interior da Edição Francesa (Original)

As histórias capa e espada são divertidas por natureza. Quando entra em coesão o roteiro e a arte então vira algo ainda mais divertido ainda. Emociona. É dessa forma que me sentia quando lia essa versão de Morvan e Dufranne. Me diverti absurdamente e me sentira muito feliz em ver esse material ingressar no PNBE da mesma forma que as obras anteriores citadas. A caricatura de todos os personagens, seus trejeitos, o ritmo da história e a paleta de cores escolhida me deu a impressão de estar vendo uma animação Disney dos tempos áureos. A diagramação e a emulação de movimento da obra só aumenta ainda mais essa impressão. Somando a isso a qualidade de edição e impressão, penso que só faltou uma cereja nesse bolo para se tornar inesquecível: a capa dura.

Interior da Edição Francesa (Original)

Interior da Edição Francesa (Original)

A Salamandra esta de parabéns por todo o trabalho, mas a capa dura daria uma aparência muito mais significativa à obra. Quem sabe não teremos no futuro uma “edição de luxo” contendo esse detalhe a mais para nós, colecionadores e entusiastas. Mesmo assim só posso recomendar, pois tenho certeza, qualquer um que ler o material vai se divertir muito com tudo que esta ali.

A EDITORA SALAMANDRA APRESENTA: OS TRÊS MOSQUETEIROS DE ALEXANDRE DUMAS

Obs.: Uma pequena curiosidade, a obra deveria se chamar Arthos, Pothos e Aramis, mas por recomendação do editor do jornal Frances Le Siècle, Desnoyers, Dumas aceitou a mudança de nome, mesmo percebendo o equívoco de chamar de “três” um “quatro”.

FORMATO: 29 x 22 cm

PÁGINAS: 210 páginas em brochura coloridas.

PREÇO: R$51,90 (Compre no Link Abaixo)

TEXTO e ARTE: Jean David Morvan e Michel Dufranne (Roteiro), Rubén Del Rincón (Ilustração) e Marie Galopin (cores)

TRADUÇÃO: Luciano Vieira Machado

LANÇAMENTO: 2011

Reviews#133 – The Walking Dead – A Ascensão do Governador (Robert Kirkman & Jay Bonansinga)

Publicado por na categoria Reviews em November 14th, 2012

No Gravatar

“- É melhor você superar essa postura de veadinho que foi protegido a vida inteira, começar a andar com as próprias pernas e rachar a cabeça de alguns zumbis, por que as coisas ainda vão piorar muito antes de melhorar!”

SINOPSE: No Universo de The Walking Dead não existe vilão maior do que o governador,o déspota que comanda a cidade de woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como “vilão do ano”, ele é o personagem mais controvertido em um mundo de dominado por mortos-vivos.

Criado em 2003 por Robert Kirkman em parceria com o desenhista Tony Moore, que posteriormente, infelizmente, foi substituído por Charlie Adlard (Tony Moore voltou a fazer suas contribuições nas capas a partir da edição #24), The Walking Dead veio para o mundo dos quadrinhos como uma maravilhosa surpresa e sucesso imediato de público e, logo após, de crítica, chegando a ganhar o Eisner Awards de 2010 de melhor série contínua, transpondo as mídias rapidamente para séries de TV e agora para romances. A história dos sobreviventes do apocalipse zumbi mais comentado dos últimos tempos, tendo seu protagonista o policial – ex? – Rick Grimes e sua família, junto com outros sobreviventes fez muita gente voltar suas atenções para o esquecido morto vivo que à muito tempo não tinha uma participação tão significativa no mundo do entretenimento.

Com a crescente atenção dada aos romances dos mundos de games, séries e algumas outras mídias, The Walking Dead não poderia ficar de fora por muito tempo e agora acaba de lançar no Brasil pela editora Galera Records o livro “The Walking Dead – A Ascenção do Governador”.

Para quem esta atualizado na série da HBO ou leu até o arco “A Melhor Defesa”, a partir da edição #25 da HQ, já pode se deparar com um dos melhores vilões dos últimos tempos: Phillip Blake, o Governador de Woodbury. Personagem bastante carismático, sádico e completamente, absurdamente, insano que usa sua posição privilegiada nesse mundo arrasado para impor sua forma de governar e controlar aqueles habitantes que, na falta de alguém melhor, acabam aceitando e até mesmo contribuindo com os absurdos presentes em sua cidade.

Capa do Quadrinho #01 de The Walking Dead

Capa do Quadrinho #01 de The Walking Dead

Nesse romance, escrito pelo próprio Robert Kirkman em parceria com Jay Bonansinga, já veterano do gênero, conhecemos a história desse personagem desde o começo do apocalipse até seu domínio de Woodbury, se tornando o personagem que conhecemos. Aqui não há spoilers para quem ainda não leu a HQ ou não chegou nessa parte da série de TV, por isso fiquem tranquilos e leiam sem medo.

Com o passar da leitura, conhecemos Phillip Blake como um ser humano tomado por um mundo caótico, toda a sua decadência na tentativa de sobreviver em parceria com seus dois amigos, seu irmão e sua filha pequena, e ate conseguimos compreender os motivos por trás de suas decisões, dando uma profundidade ao personagem bastante significativa. Contudo, a surpresa final do romance fica no limite de estragar o que seria uma leitura interessante e não me surpreendo se algumas pessoas não acharem a melhor decisão para o personagem, apesar de encontrarem ali argumentos significativos.

Acompanho o trabalho de Kirkman nesse mundo desde o inicio e devo ter parado de ler o quadrinho na edição #70 e alguma coisa, simplesmente por ter enjoado, e me surpreendi absurdamente com o primeiro episódio da série televisiva, mas acabei desanimando com o passar dos episódios. Digo isso por The Walking Dead ter se tornado refém daquilo que criou. Uma rotina.

Os zumbis não são significativamente perigosos quando você esta preparado para enfrenta-los e tem um pouco de calma. Podemos ver isso claramente quando até mesmo uma “mulher indefesa” tem a oportunidade de mata-los com uma barra de ferro pequena. O que da a tensão na história bem como deixa o morto vivo absurdamente perigoso, é o fato da zona de conforto criada a partir do momento que os personagens se sentem seguros o suficiente para seguirem suas vidas quase que como se nada daquilo tivesse acontecido ou estivesse acontecendo naquele momento. Isso é genial! Sendo franco e sem redundâncias, indo direto ao ponto.

Capa do Quadrinho #33 de The Walking Dead

Capa do Quadrinho #33 de The Walking Dead

Porém, quando isso acontece uma vez, duas, três, quatro… cinco… seis… sete… Isso se torna repetitivo e entediante. E não basta mudar os personagens. A partir do momento que você já conhece e identifica a “fórmula”, as coisas começam a ficar realmente iguais. Nesse ponto não só o romance acompanha a rotina e deixa algumas oportunidades de desenvolvimento escaparem pelos dedos.

SPOILER: (selecione com o cursor para o texto ficar visível) por mais justificado que seja, a inversão de papeis do Brian com o Phillip após a morte do segundo é um tanto forçada. Em 355 páginas vemos Brian como um bebe chorão sendo incapaz de matar uma mosca para no final ele se tornar algo completamente diferente após dois parágrafos e meio. Não foi algo criado devagar, onde você percebe que ali tem alguma fagulha anarquista e predatória. Não! Ele simplesmente muda de personalidade completamente como uma transformação metamórfica. A polarização oposta dos irmãos é forte e de uma hora para outra o protagonista cai morto enquanto o coadjuvante não cresce, mas simplesmente assume aquela personalidade como uma fantasia. Achei isso um pouco bizarro e por mais que “faça todo o sentido”, não me surpreendo se alguém comentar dizendo que não gostou.

Apesar da critica acima, o livro é excelente naquilo que ele se propõe. Dando mais profundidade a um dos personagens mais marcantes da série. Para os que conhecem pouco do gênero e da série e para aqueles que estão no hype da obra, não há melhor recomendação. Em todo caso, gostaria de conhecer o outro lado do mundo ou até mesmo um futuro daquilo que já existe. Continuar apostando nessa fonte ate seca-la completamente vai tornar a série algo chato e absurdamente cansativo.

EDITORA GALERA RECORDS APRESENTA: THE WALKING DEAD – A ASCENSÃO DO GOVERNADOR

FORMATO: 23 x 16 cm
PÁGINAS: 364 páginas em brochura.
PREÇO: R$29,70 (Promoção na Saraiva – Compre no Link Abaixo)
TEXTO e ARTE: Robert Kirkman & Jay Bonansinga

Bares #10 – De Bar em Bar (AM) – Allegro & Wandyñ

Publicado por na categoria Bares, Evento em November 13th, 2012

No Gravatar

 

De Bar em Bar é um evento realizado no Brasil pela ABRASEL onde os bares associados entram em um concurso do melhor bar da cidade, onde são avaliados quatro itens: Melhor Petisco, Cerveja Mais Gelada, Melhor Atendimento e Melhor Banheiro.

O PulaPirata foi convidado e eu, junto com o Salsicha participamos das visitas aos Bares Allegro e Wandyñ onde comemos o Bolinho de Piracuí e a Costelinha de Tambaqui.

Aqui não tem tempo ruim e em qualquer hora, em qualquer lugar, se tiver cerveja gelada gratuita, podem contar conosco. É o tipo de coisa que faz valer a pena todo o esforço. Que venham os próximos!!

Eu e o Salsicha no final da Mesa.

Eu e o Salsicha no final da Mesa.

 

Grupo de Jurados da Noite.

Grupo de Jurados da Noite.

Reviews#129 – Wolverine Noir (Stuart Moore & C.P. Smith)

Publicado por na categoria Reviews em November 1st, 2012

No Gravatar

- Meu nome é Jim Logan, sou um detetive particular. E pela oitava vez no dia de hoje, estou pensando em assassinar meu sócio.

Eu não acho correto criticar quando alguma coisa, independente da mídia em que ela for lançada, é julgada como algo simplesmente “para fazer dinheiro”. É bem óbvio que é para fazer dinheiro! Não há absolutamente nada no mundo dos negócios que possa ser considerado altruísta, quiçá no mundo inteiro. Em todo caso, há o respeito e a honestidade com o público para aquele que a obra se destina, bem. No caso de remakes, reboots e afins, há também o respeito pela própria obra e pelo seu verdadeiro autor.

Nesse caso, Wolverine Noir consegue dar uma singela pincelada no que poderia sim ser uma grande obra do personagem mais carismático de toda a franquia “super” da editora, mas se perde na liberdade poética de Stuart Moore e C. P. Smith.

Sinopse: Jim Logan, da agência de detetives Logan & Logan, é o melhor naquilo que faz. E a femme fatale Mariko Yashida sabe disso muito bem. Na cidade a negócios, Mariko contratou a proteção de Logan, que rapidamente descobrirá que dinheiro algum no mundo será capaz de proteger sua cliente de seu inimigo, Victor Creed! Reinterpretado sob a estética noir pelo roteirista Stuart Moore e pelo ilustrador C.P. Smith, o mutante mais famoso da Marvel estrela uma aventura repleta de reviravoltas e suspense, na qual as coisas não são necessariamente o que parecem.

Desde já quero deixar bem claro algumas coisas. Na review da edição anterior da série, Homem Aranha Noir, pude pincelar o que seria a intenção da obra. Levar seus mais famosos super heróis, ou grupo deles, para os anos de 1900 em busca do vislumbre de como seria se naquele mundo existissem heróis com tamanho poder. Nessa mesma primeira review cometi uma gafe ao supor que a origem desse personagem em questão, o Wolverine, não seria necessariamente modificada, haja vista que o mesmo viveu durante aquela época.

Bom, com o passar do tempo, tive oportunidade de ler X-Men Noir (quem sabe no futuro haverá uma review) e agora Wolverine Noir. Posso lhes dizer que não há obstáculo algum nos roteiristas, além do óbvio, com relação à origem de cada um deles. Acrescente ai à inexistência dos poderes ou a transformação deles em feitiçaria do “novo mundo” ou bizarrices e você irá sair frustrado com bastante certeza. Com o Logan não seria tão diferente. Logan hoje é um detetive particular, filho de pais ricos, sócio de seu amigo de infância, que é uma peça fundamental de algum passado obscuro que irá se desenvolver durante a HQ.

Existe uma estética e um roteiro padrão digno de Dick Tracy que envolve todas as histórias de detetives Noir - ou a grande maioria delas – que por ter sido tão repetida no passar dos anos, além de ficar previsível, tornou-se cansativa e descartável. Aqui, Stuart Moore faz exatamente como manda o gibi e, sem tirar nem por, simplesmente adapta de uma forma um tanto preguiçosa toda a origem do mutante para esse cenário.

A arte também não ajuda muito. Com a paleta escura, C. P. Smith algumas vezes acerta bem no alvo e outras utiliza as sombras com exagero, tirando o brilho dos olhos do leitor e dificultando qualquer apreciação pela obra como um todo.

Não gosto de ser arauto de más notícias e fico triste em afirmar que Wolverine Noir não é tudo o que poderia ser. A grande verdade é que lemos essas histórias de quadrinhos devido as diferenças dos SUPER heróis para os “simples” heróis e é ingenuidade acreditar que eles sobreviveriam (ao público) sem aquilo que lhe personifica. Ver o Wolverine não sendo o Wolverine o tornou chato, previsível além de bastante entediante e revoltante. Por mais que a série se dedique a extrair esse tipo de história, acho que depois de três leituras da série posso dizer que ela esta equivocada desde o conceito e hoje esteja atirando pedras em uma “vítima” do contrato. Os autores.

A Panini, apesar de tudo, trás aqui mais um trabalho com a qualidade já conhecida na edição de seus produtos. Inserindo em uma capa dura, todas as primeiras edições da série e mais diversos extras no final de tudo. O preço da obra pode aumentar a justificativa em adquiri-la. Ela fica bem bonita na estante.

FORMATO: 26 x 17 cm 
PÁGINAS: 104 páginas em Cores 
EDITORA: Panini Books
PREÇO: R$15,90
TEXTO e ARTEStuart Moore & C.P. Smith 

Reviews#127 – Lucille (Ludovic Debeurme)

Publicado por na categoria Destaque, Reviews em October 24th, 2012

No Gravatar

“Não como daquela vez, algum tempo mais tarde… Quando, numa madrugada, um sonho perturbador força a menininha a sair de seu quarto para procurar o reconforto que sua mãe costumava lhe oferecer em casos parecidos. Foi violento encontra-la no corredor, sentada sobre um banquinho. Seu pai em uma posição que demonstrava para a pequena, sem que ela soubesse o porquê, mas de forma exata, que ele não lhe pertencia mais.”

Sinopse: Lucille é uma jovem insatisfeita com seu corpo, sua casa, sua falta de amigos, seu relacionamento com a mãe e sua vida toda. Não parece haver coisa alguma que a faça feliz. Arthur é filho de um pescador e parece não ter muitas perspectivas na vida além de seguir os passos de seu pai. Mas, de alguma forma, as tragédias pessoais dos dois jovens os levam para um mesmo lugar.

Lançado em outubro de 2011, Lucille veio para o Brasil já como vencedor. Desde a capa já temos um belo adesivo com a informação: “Prêmios 2006-2007 René Goscinny Angoulême” e juntando isso com uma arte de capa incrível, não há muitos argumentos que nos impeça de folhear e adquirir esse exemplar de 544 páginas da obra de Ludovic Debeurme.

Já tem algum tempo que percebi uma rotina nos meus gostos por quadrinhos. Simplesmente me coloque em frente a algum quadrinho com uma quantidade generosa de páginas, junte isso a uma arte simples e monocromática por dentro e tons pasteis de capa e como um passe de mágica me verá saindo com posse de um dos exemplares da loja.

Aconteceu isso com Umbigo sem Fundo, com Retalhos, com Habibi, com Cicatrizes e algumas dezenas de outros mais. Não sei bem o motivo, mas acho incrível a habilidade que alguns quadrinistas tem em se expressar de forma simples, mas ainda sim tão profunda. Ok, talvez Retalhos e Habibi do Craig Thompson não sejam o tipo de arte que podemos chamar de simples. Mas, de modo geral, acho que deu para me entender.

Nesse ponto de qualidade artística, Lucille ganha milhares de louvores, visto a habilidade de seu autor e o conceito utilizado nessa obra. De forma incrível, Debeurme nos mostra duas facetas opostas em diversos pontos da obra. Seja no caráter simplista de sua expressão gráfica em oposição à profundidade dramática que seus dois personagens vivem, seja na virada rápida das páginas em oposição à vida monótona dos personagens ou na liberdade espacial do quadrinho sem quadros à reclusão e depressão solitária da história. Cabe aqui um espaço para citar o filme Elephant de 2003 do Gus Van Sant como um exemplo em diferente mídia daquilo que gostaria de expressar.

Aqui temos a perspectiva de dois jovens personagens que levam o drama existencial adolescente a níveis épicos Shakespearianos, o que me da certo alívio em olhar para trás e me sentir vitorioso por ter passado por aquela época sem traumas ou sequer metade daqueles problemas. Lucille e Arthur são retratados como um extremo exemplo dos que são afastados do meio “social comum” por serem diferentes ou estranhos daqueles que são tão estranhos quanto, porém conseguem reprimir ou esconder essas diferenças em busca de uma aceitação e inserção nesse meio. A expectativa que se cria dos acontecimentos e a reviravolta final da obra são obras primas e de total mérito do autor.

Da mesma forma que se manteve, Debeurme coloca o ritmo constante em sua narrativa até finalizar com uma singela frase: “Ludovic Debeurme, dez.2005 – Fim da primeira parte” encerrando aqui uma das histórias mais comoventes que tive a oportunidade de ler em todos esses anos. A simplicidade, devo ter repetido essa palavra diversas vezes nessa resenha, e a humildade com que ele apresenta a história me cativou com sinceridade e me deixa ansioso pela segunda parte ainda sem previsão de lançamento no Brasil, mas que já foi lançado na França em 2011 com o nome de Renée e torço para que a LeYa / Barba Negra tenha a mesma disposição em nos trazer essa obra com a mesma qualidade e simplicidade da primeira. Uma grande salva de palmas para todos os envolvidos por que eles, com absoluta certeza, merecem.

 

FORMATO: 22,5 x 17 cm

PÁGINAS: 544 páginas em P&B

PREÇO: R$54,90

AUTOR: Ludovic Debeurme 

EDITORA: LeYa / Barba Negra

LANÇAMENTO: 2005 (França) / 2011 (Brasil)





Mapa do site | Quem somos | Criação Presto e Manjaro | Ilustracao Pablo Mayer | Desenvolvimento ATer