Reviews#191 – Hyperbole and a Half (Allie Brosh)

Reviews

Hyperbole and a halfHyperbole and a Half é o nome do blog que a norte americana Allie Brosh mantém de maneira intermitente desde 2009. Memórias de infância, anedotas de sua vida conjugal e familiar dividem espaço com uma auto análise um tanto profunda e bastante cândida, que muitas vezes leva o leitor das gargalhadas à uma sensação de vazio em poucos parágrafos. Os textos de Allie são sempre concisos e altamente digeríveis, mas o que fez de seu blog um gigantesco sucesso de público e crítica foram seus desenhos intencionalmente infantilizados. Não sei se dá pra caracterizar exatamente como história em quadrinhos, mas tem histórias e tem quadrinhos, então vamos lá.

Você já deve ter visto diversas de suas ilustrações em inúmeros memes por ai (os mais famosos sendo o CLEAN ALL THINGS e ALOT), o que faz bastante sentido uma vez que ela mesmo considera os memes Rage Comics como uma de suas principais influências. Mas está muito enganado quem acha que se trata de apenas mais um punhado de piadinhas infames de internet. Seus desenhos em paintbrush são hilários e seus posts vez ou outra são cheios de energia e causos engraçados, mas também há uma grande discussão introvertida e desajeitada, mas engraçada e analítica, de seus demônios internos, crises existenciais e problemas com sua severa depressão.

Allie desenha seus personagens de maneira tosca, mas com um senso narrativo apurado e expressões faciais realmente hilárias. Explicando que ela imagina a sua escrita como uma forma de stand up comedy, as ilustrações despretenciosas apareceram para dar uma sensação de movimento e ação à sua escrita, o que Allie consegue executar magistralmente em toda a sua excelente tosquisse gráfica. A autora, inclusive, diz que se acha melhor representada em seus rabiscos do que por sua própria aparência real.

Longe da auto ajuda ou auto piedade, o que torna suas histórias tão relacionáveis é a forma franca como ela se insere nelas e tenta entender como sua própria cabeça funciona, buscando respostas ou soluções para questões tais quais: “Como alguém consegue passar mais de vinte dias olhando para um DVD e sabendo que tem que devolvê-lo à locadora, mas simplesmente não tomar uma atitude para resolver o problema”; ou “Por que se achar uma pessoa boa por ter pensamentos bons sem nunca fazer um ato sequer digno deles”; ou “Por que minha força de vontade para viver como uma pessoa adulta só aparece de vez em quando”; ou ainda “Por que não posso adotar um cão problemática e raivoso para fazer companhia à minha cadela provavelmente retardada”?

No entanto, a versão impressa de Hyerbole and a Half que foi lançado nas livrarias brasileiras em 2014 é uma versão incompleta – mais ou menos dois terços da que foi editada em 2013 nos Estados Unidos e se tornou um dos livros mais laureados e discutidos do ano. Não entendi muito bem o que a Editora Planeta desejava com isso, mas o fato é que os seus melhores textos (ou seja, meus preferidos, como o incrivelmente elucidador Depression part Two) ficaram de fora, e espero muito que façam parte de um segundo tomo. O que é uma pena, por que para todo os elogios que fiz nos parágrafos acima, essa versão nacional deixa um pouco a desejar, acaba parecendo um sample mais leve e inconsequente da potência dos posts de Allie.

 

30

 

EDITORA PLANETA APRESENTA:  HYPERBOLE AND A HALF – SITUAÇÕES LAMENTÁVEIS, CAOS E OUTRAS COISAS QUE ME ACONTECERAM

Formato: 16 x 23
Páginas: 224 em Cores
Arte e Texto: Allie Brosh
Tradução: Flávia Yacubian
Preço: R$39,90 (Valor sugerido pela editora)

compre111

 

Ou compre a versão importada completa se seu inglês for bom.