Bares #09 – Bip Bip (RJ)

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Parei de beber! Nunca fui um alcoólatra, nunca tive problemas com a bebida, mas resolvi deixar este hábito. Por três motivos basicamente: resolvi ser halterofilista (esta modalidade não inclui levantamento de copo e garrafa); pelo crescimento da terceira mais importante instituição do Rio de Janeiro que é a Lei Seca (as primeiras são o tráfico e o twitter da lei seca); e por último pelo lançamento de um movimento de contracultura, o beba água na balada. Encher a cara e ficar doidão já foi altamente subversivo, mas hoje é algo tão banal, pessoal bebendo em aniversário de criança, pais servindo uma cerveja pros filhos. Contestador mesmo é beber água.

Todo mundo acha estranho quando você decide parar de beber. Parece que você virou crente e não vai mais curtir a vida. Como se álcool e putaria fossem inseparáveis. Não são! A onda agora é tomar água e ficar curtindo a música. Mas a música tem quer ser boa e isso é uma coisa que falta no Rio de Janeiro. Parece que as pessoas estão satisfeitas só em ver as gostosas e não se importam com o ambiente, o cardápio, a música.

Nessa busca pela boa música, fui parar em Copacabana. Domingo à noite, Copa dorme. As putas estão descansando, os gringos estão assados do sol na praia, as ruas vazias e os bares só as moscas. Mas numa ruazinha perdida, defronte a uma lavanderia, uma música baixinha e uns velhos curtindo o som. Umas 15, 20 pessoas na frente do bar. Um senhor altamente embriagado dançando com uma sacola de supermercado presa na cintura. Fiquei imaginando, o cara deve ter saído para comprar algo no supermercado e na volta resolveu tomar uma cerveja, a mulher deve ter ficado em casa esperando o pão e a manteiga.

Podia ser mais um pé-sujo da zona sul, mas este lugar minúsculo tem algo grandioso que não sei explicar. Quatro mesas, músicos de diferentes gerações tocando o que dá na cabeça, sempre com muita qualidade e alegria. O respeito à música é tão grande que ninguém conversa, aplausos são estalando os dedos. No dia que fui rolou Tom Zé, Chico Buarque, Vinícius, chorinho, samba, só coisa de primeira. No comando do bar está o Seu Alfredo, um velho barbudo que fica o tempo todo sentado. Se você fizer barulho, ele dá uma cuspida em você.

Nem provei nada do cardápio, acho bem ruim comer em pé. Logo não gastei nada no lugar. Se bater uma fome depois desse samba, Copa nem é tão longe do BB lanches!

 

Bip Bip
Rua Almirante Gonçalves, 50, Copacabana, Rio de Janeiro
Horário: 19/1h

AMBIENTE:

ATENDIMENTO:

CARDÁPIO:

PREÇO:

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Publicado por na categoria Bares em February 21st, 2012

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