madonna e jesus luz no circo voador. cenas quentes.

Não Fui Eu & Deixem-me Inventar, editados pela Martins Fontes
Eu tento fazer reviews só de lançamentos atuais por aqui, mas sempre tenho que fazer algumas excessões. Eu conhecia um pouco das tiras da Mafalda (e quem não conhece?), mas nunca tinha tocado num álbum do desenhista argentino Quino (o por que, exatamente, eu não sei). Quando cheguei a Manaus, me vi sem ter quadrinhos para ler/resenhar. Foi então que veio o Presto e me intimou a ler estes dois livros do autor, ambos lançados pela Martins Fontes na primeira metade da década passada. Não me surpreendi com a qualidade do material, mas sim com o seu conteúdo.

Ao invés de tiras da Mafalda (uma espécie de Charlie Brown + Snoopy em corpo de garota, que parou de ser desenhada ainda nos anos 70), temos aqui cartuns e tiras de personagens “aleatórios”. Quino mostra nesses volumes que, antes de um escritor e desenhista com questões filosóficas e sociais, é acima de tudo um crítico da sociedade. Seja Deus, a polícia, a tecnologia ou apenas os costumes da sociedade moderna, nada passa sem um bom tapa na nuca.

O primeiro dos livros que li, “Deixem-me Inventar”, lançado na Argentina originalmente em 1983, é bastante explicativo em seu título e de uma igual inventividade. Em menos de 100 páginas e com pouquíssimos diálogos, o álbum é um tratado em quadrinhos sobre religiões, metafísica, solidão e, claro, consumismo. Tudo com a imaginação alinhada ao absurdismo e ao surrealismo. Suas tiras (ou poderia chamá-las de críticas ilustradas) são leves, de rápida leitura (há vários cartuns de 1 ou 2 quadros), mas nunca se passa por simples piada ou qualquer bobagem, realmente nos fazem pensar (e, claro, rir). Não demorei mais do que 15 minutos para ler…mas desde então já li mais 2 vezes, não cansa.
Já o segundo livro,
“Não Fui Eu”, lançado em seu país no ano de 1994, lemos um
Quino um pouquinho mais falador, suas páginas tem mais quadros e a ponta de seu lápis aponta para a luta entre classes sociais, o poder das autoridades e, o absurdo (realismo) cotidiano.

Quino, nesta encarnação pós-mafalda, que só agora eu tomo conhecimento, não se preocupa com personagens ou histórias, mas sim com a loucura nossa de cada dia que nos passa despercebida (ou não). Vale lembrar que boa parte de sua carreira foi construída enquanto a Argentina estava sob ditadura militar, apenas para contextualizar. Ele nunca vai te fazer gargalhar, mas o sorriso fica constantemente grudado em sua expressão, enquanto folheia mais de uma vez cada um de seus trabalhos.

EDITORA MARTINS FONTES APRESENTA: NÃO FUI EU e DEIXEM-ME INVENTAR
FORMATO: 20,5cm x 27,5cm
PÁGINAS: 94/128 páginas em P&B
PREÇO: R$39,90 (cada um, em média)
TEXTO E ARTE: Quino

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repeti a palavra “claro” umas 500 vezes, não sei por que. com preguiça de editar isso, claro.
Eu quando li isso eu fiquei maluco! Ficava me perguntando pq todo mundo somente comenta de Mafalda e nunca dessas outras obras do Quino. Eu achei mto inteligente!. Recomendado e aprovado!
O Deixe-me iventar esta saindo por 29 reais.
Quino é foda! O cara tem muita sacada incrível!