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Poucos quadrinhistas brasileiros são tão citados como influência hoje em dia como o gaúcho Fábio Zimbres. Faz sentido que ele vez ou outra seja alvo de algumas homenagens por artistas diversos, mas nada se compara ao projeto Fabio Zines, onde Gabriel Góes e André Valente se comprometeram a escrever, desenhar e produzir 100 pequenos fanzines durante o ano de 2013 e enviar um exemplar de cada para o Zimbres. As únicas regras são fazer tudo de maneira analógica e não usar o photoshop para compor, desenhar ou causar interferência gráfica.
Por sorte minha e de vocês, cada um desses 100 exemplares está (ou estará) à venda no site oficial deles. Como eu passei minha adolescência catando qualquer fanzine interessante que passasse por Manaus e produzindo uns tantos outros com o Salsicha, a ideia ainda no papel já me parecia bastante sedutora, mas pelo fato de Valente e Góes serem dois dos quadrinhistas contemporâneos mais inventivos (e estranhos, no ótimo sentido) que conheço, fiz ainda em dezembro do ano passado minha assinatura integral para receber todos os números na minha casa. Só faltava esperar os correios pra entender direito o que era tudo isso.
Agora que tenho os primeiros 40 exemplares em mãos, posso dar uma boa opinião de tudo. Logo de cara se percebe que a dupla não se limitou simplesmente a preencher 8 páginas (sem contar as capas) por vez com quaisquer quadrinhos e rabiscos. Mesmo quando, de fato, há rabiscos, textos e ilustrações soltas, elas todas funcionam dentro de um conceito. Além disso há uma interessantíssima programação visual dentro desse formatinho imutável, sempre com excelente impressão (nada de xerox tosca), soluções gráficas inventivas e ótimas capas com papéis de gramaturas diferentes.
Geralmente cada número é dividido ao meio com quatro páginas para cada um dos dois desenhistas. O formato gráfico-narrativo vai desde tirinhas curtas, histórias completas, pseudo-storyboards, choose-your-own-adventure, colagens, aventuras e dramas metalinguísticos, diagramas, um envelope com cartas de tarot, ilustrações aleatórias e até um catálogo fictício da Semana de Arte Moderna de 2013. E é quando eles atingem maiores graus de demência e disformidade que os Fabio Zines realmente brilham. Além disso, eles de vez em quando estão referenciando, reimaginando e até assassinando vários personagens icônicos como Tintin, Charlie Brown, Super Homem e, principalmente, Bart Simpson. Claro, esses são os caras da Kowalski.
A leitura é rápida, cada número demora entre 30 segundos e 2 mintuos para se ler. Algumas edições são apenas interessantes e fazem mais sentido como um todo dentro de uma leitura maior, mas não recomendo que alguém pegue só um par de Fabios para ler, já que a grande graça está na continuidade do projeto, Uma dica para quem pretende começar devagar, tendo só um gostinho antes de pisar fundo, é comprar as edições entre 11 e 15 ou entre 21 e 25, que foram as minhas preferidas até agora. É baratinho e tem várias formas de comprar/pagar. Quem se tornar assinante paga mais barato e tem direito a brindes como um zine feito por Liomar (A Ilíada de Manonight) ou um feito por Cynthia B. e Allan Sieber (Ofensa Gratuita #1)
E essas são só as primeiras 40 edições. Sabe deus o que mais vem pela frente, mas eu recomendo que você comece a acompanhar o quanto antes. Em tempos de webcomics firmes e fortes, não tenho ideia de quando você poderá ver um projeto tão legal assim de novo em papel. Poderia ser algo picareta, mas é apenas a imaginação livre de dois artistas sem censura e com um deadline apertado que vai forçando a criatividade de ambos a cada número para se repetirem menos e surpreender mais o leitor, que ainda tem uma longa jornada pela frente.
BONUS: A Revista Samba publica os outtakes dos Fabio Zines em seu site.

FORMATO: 4 x 6 cm
PÁGINAS: 8 páginas em Preto, Branco (por edição)
PREÇO: R$2,00 + frete por cada edição / R$10,00 + frete por pacote com 5 edições / R$ 142,50 (frete grátis) por 95 edições.
ARTE e TEXTO: André Valente, Gabriel Góes e Alberto Sudoríparo



























