
Outro dia eu escrevi no Twitter que Paprika, do japonês Satoshi Kon estava para começar em um canal à cabo. Foi só mais um dos meus muitos twits diários ignoráveis. Meu pai – que me segue por lá – avisou que assistiria ao filme. Fui pego de surpresa e expliquei que era um desenho animado, não deveria interessar-lhe, mas me disse que mesmo assim assistiria. Percebi que já fiz isso inúmeras vezes, só recomendo desenhos para quem eu sei que gosta de desenhos, só recomendo quadrinhos para quem eu sei que gosta de quadrinhos. E, caramba, que mentalidade pequena a minha.
O Pulapirata.com não existe somente por que queremos mostrar nossa produção, mas queremos incentivar as pessoas a produzir e ler quadrinhos – é por isso que temos, religiosamente, um dia da semana dedicado aos reviews de HQs, de diversos gêneros, autores e países. Claro que algumas dessas publicações são indicadas, realmente, para pessoas já iniciadas em gêneros ou autores específicos, mas a maiora delas são apenas boas histórias contadas através de um meio que ainda é um nicho pequeno no Brasil, as histórias em quadrinhos.
Estamos num momento bastante interessante por aqui. Faz tempo que as editoras já não vivem só de super heróis, algumas, até estão passando por um rigoroso processo de seleção de material autoral, para sempre manter um alto nível. Temos muitas HQs de ótima qualidade sendo publicadas em edições que são um verdadeiro colírio aos olhos. E não só material gringo, mas também material nacional com qualidade de roteiro e desenhos que não deve nada a outros mercados. Fora os autores nacionais que estão tendo a sua chance de publicar material próprio em grandes editoras americanas e européias. Além disso, as publicações independentes afloram e estão cada vez mais interessantes e fugindo dos padrões, a preços bastante acessíveis. As webcomics estão em total expansão e, apesar de um certo número de tiras ruins e sem graça que aparecem por aí, temos à nossa disposição, de graça, muitas tiras maravilhosas.
A imprensa não especializada também está a par disso. Nos últimos meses vi/li muitas matérias em jornais, revistas e programas de televisão dando bom espaço ao assunto. Chegamos a um ponto bom, com muito espaço para crescer, mas com futuro ainda indefinido. E nós podemos ajudar, incentivando – claro, sem nenhum tipo de catequese chata, não queremos uma cruzada pelos quadrinhos.
O que quero dizer é: Nós, que acompanhamos o mercado, editoras e a imprensa especializada, já sabemos disso e poderíamos muito bem incentivar pessoas de “fora do nicho” a ler e consumir quadrinhos. Da mesma maneira que indicamos e emprestamos livros e filmes, podemos indicar e emprestar quadrinhos, dar HQs de presente, incentivar que mais pessoas compareçam aos lançamentos. Ao invés de descobrir que a sua livraria preferida não vende o que você procura e fazer a compra pela Internet, faça sugestões de compra à sua livraria.
Pode parecer um texto óbvio, até por que há muitos frequentadores do site que fazem exatamente isso que estou falando ai em cima, mas é um texto que eu precisava escrever.
*Ilustrações: Search & Destroy por Ricardo Manjaro
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