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Review#112 – O Fantasma de Canterville (Oscar Wilde/Seán Michael Wilson e Steve Bryant)

Publicado por na categoria Reviews em June 15th, 2012

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Quando uma criança de coração puro conseguir
Tirar dos lábios pecaminosos uma prece,
Quando a estéril amendoeira florescer,
Quando dos olhos puros brotar uma lágrima,
Esta casa ficará para todo o sempre tranqüila,
A Graça voltará a Canterville.

Sinopse: A família norte-americana Otis ganha mais do que uma pechincha quando se muda para a imponente mansão inglesa de Canterville. Mesmo que se recusem a acreditar nos rumores, a mansão é de fato assombrada. O fantasma de sir Simon Canterville tem percorrido seus salões e corredores por cerca de trezentos anos…

Eu estou “on fire” essa semana. Como uma critica ao patriotismo, Oscar Wilde (1854 – 1900), escritor irlandês, cria em O fantasma de Canterville um choque entre o novo e o velho mundo durante o século XIX. Pai do que posteriormente foi chamado de “comédia de horror gótico”, Oscar Wilde se formou como um eclético dramaturgo tendo criado diversos clássicos britânicos como “O Leque de Lady Windermere”, “Uma Mulher sem Importância” e “Um Marido Ideal e a Importacia de ser Prudente”, além de contos infantis como “O Principe Feliz”e “O Rouxinol e a Rosa” (escrito para seus filhos) e um único romance chamado “O Retrato de Dorian Gray”.

Em “O Fantasma de Canterville”, obra já adaptada para diversos formatos pelo mundo, Seán Michael Wilson repete quase que na íntegra toda a obra desse conto de Wilde, tendo como o braço artístico o ilustrador Steve Bryant. Lançado no Brasil pela Companhia Editora Nacional em 2012, integra um catálogo de títulos Infantojuvenis da editora que contém um quadro com obras clássicas como “A Ilha do Tesouro”, “Moby Dick”, “Os Três Mosqueteiros” e outros mais.

Neste quadrinho, conhecemos a família Otis, que vieram para a Inglaterra por motivos diplomáticos onde encontram na antiga residência Canterville uma excelente mansão com o preço bastante acessível por existirem boatos de que o local é assombrado pelo Sir Simon Canterville. Um antigo senhor que sumiu após o assassinato de sua esposa e nunca mais foi visto.

Entre falhas e mais falhas, Sir Canterville começa a perceber que aquela família não é normal, afinal eles estão pouco ligando para manchas de sangue no piso ou barulhos de correntes durante a madrugada. Aparições fantasmagóricas então!? Merecem travisseirada em armadilhas preparadas pelos gêmeos Otis. Dessa forma, Sir Canterville começa a perceber que seus dias como o Famoso Fantasma de Canterville estão acabados e se mete em um beco sem saída.

Durante a leitura podemos perceber dois grandes altos e baixos. Um ponto alto, com certeza, é o roteiro que é quase que integralmente passado para as páginas desse quadrinho. Oscar Wilde não é um dos grande nomes da literatura por um acaso. Mesmo se tratando de uma estória de mais de 100 anos de existência, há ali muito a ser estudado. Penso que o quadrinho perdeu algo que particularmente gosto muito, que é a narrativa. Durante o conto, Wilde nos acrescenta muitos fatos da história sem criar novos parágrafos ou histórias paralelas, utilizando sabiamente as “vírgulas” do seu texto. Isso foi perdido durante a adaptação, infelizmente. Por exemplo o trecho do conto a seguir:

“Porém, na ocasião em que se entranhavam na alameda do Parque Canterville, o céu cobriu-se subitamente de nuvens, uma calma estranha pareceu envolver a atmosfera, um bando de gralhas passou silenciosamente por cima deles e, antes que houvessem atingido a casa, começaram a cair grossas gotas de chuva.
Uma mulher já idosa acolheu-os no alto dos degraus. A maneira como se apresentava era irrepreensível. Envergava um vestido de seda preta, avental branco e touca desta mesma cor. Era Mrs. Umney, a governanta. Mrs. Otis, a pedido de Lady Canterville, consentira em conservá-la a seu serviço. Quando puseram pé em terra, ela fez a cada um dos seus novos amos uma rasgada vênia e disse, com solenidade já desusada:
- Desejo que sejam bem-vindos ao Parque Canterville.”

Eu acho sensacional!

Como nem tudo são flores, a qualidade gráfica dessa HQ deixa muito a desejar. Não saberia dizer o motivo, mas a impressão que nos passa é de que falta um grande trabalho de um “arte finalista” para dar mais vida às páginas do quadrinho. Algumas cenas, parece, estamos vendo bonecos de cera, sem emoção, em outras já há um trabalho de qualidade muito superior, me deixando curioso se o que faltou foi tempo ou saco para que Steve Bryant fizesse que o trabalho formasse uma unidade.

O Fantasma de Canterville, contudo, me parece uma excelente maneira que poderíamos ter em passar grandes obras para os jovens leitores em colégios. Me daria ao menos uma nova percepção do que eu poderia encontrar na biblioteca. Vendo a coleção da Companhia Editora Nacional só me leva a pensar como seria mais legal se eu tivesse lido “O Alienista” dessa forma.

AUTORES: Oscarl Wilde

ADAPTAÇÃO: Seán Michael Wilson

ILUSTRAÇÕES: Steve Bryant

FORMATO: 18 x 26 

PÁGINAS: 135 

ANO DA EDIÇÃO: 2012 





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