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Reviews #135 – O Vira Lata (Paulo Garfunkel / Libero Malavoglia)

Publicado por na categoria Reviews em November 23rd, 2012

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O mercado de histórias em quadrinhos no Brasil vive um momento saudável, o que torna bastante propício um olhar para o passado e a aposta na reedição de material antigo e clássico, como é o peculiar caso do personagem O Vira Lata, que fez fama primeiro pelas páginas da saudosa Revista Animal e depois como publicação exclusiva para detentos do presídio de Carandiru, mas só agora chega de forma completa às livrarias de todo os país, numa bela edição da Editora Peixe Grande, detalhando toda a história da publicação e incluindo as sete histórias editadas entre 1991 e 2000, além de uma inédita que nunca antes vira a luz do dia.

Se nos quadrinhos o personagem é filho de uma mãe e cinco pais, na vida real O Vira Lata se tornou uma série de revistas em quadrinhos pela confluência de muitos fatores. No início dos anos 90, o músico e compositor Paulo Garfunkel comentou com seu amigo e também músico Skowa que queria criar um herói urbano brasileiro e tinha um roteiro de HQ pronto, mas sem ninguém para desenhar. Skowa fez a ponte com o também músico e ilustrador Libero Malavoglia, que quase deixa passar o projeto por causa de uma viagem à Europa, mas a simples menção do quadrinista Hugo Pratt (pai de Corto Maltese) como uma influência de estilo os fez querer trabalhar juntos. Depois de terminarem a primeira história fechada, levaram para a Animal que a publicou como o oitavo e último número do especial Grandes Aventuras Animal, em novembro de 1991. Foi essa edição lida pelo médico Drauzio Varella (que prestava serviço voluntário no presídio desde os anos 80) que lhe incitou a entrar em contato com os autores e usar o personagem para abordar temas preventivos como o uso de drogas injetáveis e sexo sem proteção em histórias que engajassem os presidiários, coisa que os panfletos caretas da Secretaria de Saúde nunca conseguiu. O resto é história e está muito bem contada no dossiê presente entre a primeiras páginas dessa edição. Uma história pouco divulgada mas muito interessante e importante.

O primeiro capítulo funciona como uma história solo e mostra em cortes paralelos o presente – onde o personagem conhecido com O Vira Lata começa a fazer justiça pelas próprias mãos – e o libidinoso passado de sua mãe nos anos 60. Com um bem construído roteiro, Garfunkel  traça a origem do personagem, com todas as idiosincrasias de um samurai urbano brasileiro, mestiço e guiado por Ogum e Exu. Apesar de contar uma história carregada de sexualidade com uma pitada de kenjutsu, o tema principal desse primeiro capítulo era a violência desenfreada na capital paulista, onde grupos de extermínio faziam chacinas cada vez mais abertas contra mendigos, prostitutas e favelados. Tudo isso num traço sujo e um tanto rudimentar que se inspirava claramente não só em Pratt, mas também em Manara, Crepax e Carlos Zéfiro, além da óbvia influência do mangá Lobo Solitário (Kazuo Koike e Goseki Kojima) e das rabiscadas cenas de ação de Frank Miller. O Dr. Varella viu ali um personagem que foi levado a lutar contra injustiças e contra a polícia corrupta da maneira que pode, com suas próprias mãos, além de incluir muitas cenas de sexo e uso de drogas não-injetáveis, perfeito para usar  como entretenimento e também como prevenção à DSTs em meio a um público que só se interessava pela sessão de filmes se fossem pornô.

Do segundo capítulo em diante as histórias já eram feitas especialmente para o Carandiru e percebe-se alterações na maneira de conta-la para se adequar aos planos do médico. O próprio presídio torna-se um personagem. Já o Vira Lata, um poético narrador, agora se apresenta como um ex-encarcerado que respeita muito as mulheres, repudia qualquer pessoa que se pica na veia, não sai de casa sem várias camisinhas e trocou seu linguajar de umbanda por expressões típicas do sistema prisional brasileiro. Ele também assume totalmente sua faceta de justiceiro de mil faces, que se envolve mais em tramas investigativas que sempre o levam à cama de uma linda mulher. As cenas de sexo, aliás, passaram de eróticas a explícitas, funcionando não só como mais uma fonte de entretenimento libidinoso para os internos, mas também como lições e tutoriais de como usar proteção durante o ato sexual.

O legal é que, apesar de toda essa carga educativa, o personagem não deixa de ser um anti-herói politicamente incorreto e malandro, que não dispensa uma boa briga e não foge da responsabilidade de ajudar seus amigos nos problemas mais cabeludos, que geralmente envolvem vilões muito comuns e reais à todas as cidades brasileiras. Além disso, é notável que o apuro técnico no traço de Malavoglia vai se fortificando nos pequenos detalhes/enquadramentos a cada capítulo/edição, que culmina com a bela história A Princesa e O Poeta (que conta com intervenções do próprio Drauzio Varela, desenhado) e as belas cenas tórridas da até então inédita história que se passa na Amazônia.

Tanto em termos gráficos como narrativos, O Vira Lata foi uma experiência de se trazer influências de quadrinhos estrangeiros em voga na época para dentro da nossa cultura e acabou se transformando num misto de HQ erótica permeada por temas de educação sexual. É também um produto não só de seu tempo, mas também da influência de seu inesperado grupo de leitores, e deve ser visto por esse espectro. A edição completa da Peixe Grande serve não só como uma boa leitura, mas também como um documento da história dos quadrinhos nacionais.

 


 

EDITORA PEIXE GRANDE APRESENTA: O VIRA LATA

FORMATO: 17 x 24 cm
PÁGINAS: 440 páginas em P&B.
PREÇO: R$69,00
ARTE: Libero Malavoglia
TEXTO: Paulo Garfunkel 

Terra e água no Reino PulaPirata

Publicado por na categoria Quadrinhos em October 1st, 2012

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Leia a tirinha completa clicando AQUI.

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The Greennumbs #03

Publicado por na categoria Quadrinhos em December 25th, 2009

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The Greennumbs #0003 por Manjaro (clique para ampliar)

The Greennumbs #03 por Manjaro (clique para ampliar)

PARA LER AS TIRAS ANTERIORES DE “THE GREENNUMBS“, CLIQUE AQUI.

The Greennumbs #02

Publicado por na categoria Quadrinhos em December 18th, 2009

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O post de hoje é uma continução desse aqui.

The Greennumbs 002

The Greennumbs #01

Publicado por na categoria Quadrinhos em December 10th, 2009

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TheGreennumbs 001 poster

Hoje começo a postar uma nova série – THE GREENNUMBS.  Espero conseguir postar regularmente um número novo toda sexta, ou pelo menos quase toda sexta já que tenho outros personagens pra retomar. Voltem sempre !

Clique na imagem para ler a tira.

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Reviews#15 – Copacabana (Lobo & Odyr)

Publicado por na categoria Reviews em October 15th, 2009

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Copacabana – o bairro carioca – é 50% Paraíso e 50% Inferno, mas dependendo de quem você perguntar, pode ser 100% um ou o outro. O gaúcho Odyr e o paulista Lobo nos oferecem suas visões sobre prazer, viver e morrer no bairro. [Álbum não indicado para menores de 18 anos]

Copacabana, editado pela Desiderata

Copacabana, editado pela Desiderata

Se você já passou pela Avenida Atlântica no meio da noite, com certeza viu a estranha movimentação de gringos, garotas e “garotas” que há por lá, principalmente por perto da famosa boite Help. Se nunca esteve no Rio de Janeiro ou por aquelas bandas, Copacabana, o novo álbum nacional lançado pela Desiderata, pode te dar uma boa idéia de como é. Se filmes como “Cidade de Deus” e “Infância Roubada” mostram a “realidade” do morro, aqui estão as possibilidades do asfalto.

Morcego

Morcego

Diana é uma garota de programa que só quer pagar o aluguel e ajudar nas contas da mãe, que mora no interior do estado; Morcego é um escritor de romances eróticos de banca de jornal, que procura inspiração e sexo barato na noite; Mark é um gringo cheio da grana que está afim de muita sacanagem, com loiras e morenas, juntas. Por necessidade ou prazer, o que os trás a esse mítico bairro é o misto de oportunidade e perigo, paraíso e inferno. Aqui, onde o barato preço da diversão carnal pode lhe sair muito mais caro do que o cobrado em dinheiro.

Diana

Diana

Projeto escrito por Lobo - ex-editor da querida revistinha Mosh e da própria Desiderata - durante anos de “pesquisa local”, Copacabana demorou para encontrar um desenhista que lhe desse corpo, mas a demora é justificada e valeu à espera. Odyr, um estreante em trabalhos longos, mas com boas participações na Mosh e no álbum Irmãos Grimm Em Quadrinhos, trouxe as nuances e a sujeira necessárias à história. O grafismo borrado e escuro, quase serigráfico – me lembrando os quadros de Oswaldo Goeldi –  funciona perfeitamente com a história de luxúria, sangue e paixões dessas 208 páginas.

Avenida Atlântica

Avenida Atlântica

O traço pode até não agradar a todos – embora eu bata na mesma tecla, casa perfeitamente – mas o roteiro de Copacabana é um dos mais bem resolvidos que eu já encontrei em quadrinhos nacionais, uma história redonda, mas cheia de lombadas, com humor (negro) e, acima de tudo, prazerosa, como o que querem as pessoas que procuram Diana a cada noite nas ruas do bairro.

Odyr e Lobo

Odyr e Lobo

Escrever essa resenha é mera formalidade para apresentar o trabalho por aqui, mas o melhor texto para introduzir o álbum está no próprio, na forma de prefácio, escrito pelo dramaturgo/músico Mário Bortolotto.

Odyr e os personagens de Lobo

Odyr e os personagens de Lobo

EDITORA  DESIDERATA APRESENTA: COPACABANA

FORMATO: 23cm  x  15,5cm
PÁGINAS: 208páginas em P&B
PREÇO: R$39,90 (em média)
TEXTO:
Lobo ARTE: Odyr
Website Oficial

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