Posts Tagged ‘Rafael Coutinho’:


Reviews#125 – Plexo Holístico / Alvoroço (Diego Gerlach)

Publicado por na categoria Reviews em October 15th, 2012

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O trabalho do Gerlach apareceu pela primeira vez (pelo menos pra mim) durante a Rio Comicon de 2010 com seu Ano do Bumerangue, uma história pirata do famoso personagem Fantasma. O que à primeira vista parecia uma HQ de difícil digestão, se mostrou mais uma satisfatória evidência de uma recém descoberta da variedade estilística e narrativa de nossos quadrinhos independentes e/ou autorais. Seu traço pode ser troncho e tosco, mas é suplantado por um estilo formidável, enquadramentos instigantes e narrativas pouco convencionais que parecem ter mas lógica do que o seu usual nonsense.

Desde então, Gerlach tem se mostrado prolífico e proeminente, espalhando suas narrativas psicotrópicas por várias publicações. Em outubro de 2011, lançou seu número da Revista 1ØØØ, projeto dos selos Barba Negra e Cachalote. Com nas edições anteriores, Plexo Holístico nos traz uma história sem diálogos com pouco mais de 20 páginas. Aqui entramos diretamente num embate entre dois anti-heróis sobrenaturais que entram numa bizarra e bêbada peleja de rua, das mais corriqueiras pelos quatro cantos de Pinacoderal, o universo ficcional onde habitam a maior parte de seus personagens e suas histórias encharcadas de suor.

E faz todo sentido que Holismo seja o nome dado à abordagem que defende o entendimento integral dos fenômenos, em que as propriedades de um sistema completo não podem ser explicadas apenas pela soma de seus componentes. A curta história é de uma simplicidade explosiva e impactante que foge das tanta elipses de AdB. É também o momento em que seu traço parece se distanciar mais dos fanzines punks e chegar à uma confortável identidade madura, sem perder a feiura que lhe dá o charme.

Já em setembro de 2012, o autor estreou seu próprio selo (Vibe Tronxa Comix) com seu mais recente trabalho, Alvoroço, que traz de volta o personagem mais emblemático de Pinacoderal, o ogro tabagista Boy Rochedo, que apareceu anteriormente nas páginas da Revista Prego #4, também em 2010. Alvoroço é nada mais do que um diálogo entre a malandragem e a sociopatia se derretendo a cada página, com seu malemolente linguajar coloquial que por vezes faz ri mas também pode parecer pretencioso demais pra ter melhor impacto.

Apesar de ser um gibi massa e muito bem acabado, com uma arte cada vez mais bem resolvida e surreal, sofre de alguns males comuns como a verborragia que nem sempre engaja o leitor (talvez resultado de uma escrita automática) e ser uma pequena parte de uma história maior e aparentemente excitante que está se desenrolando, mas sozinha parece apenas uma interessante parte do quebra-cabeças.

Tentar decifrar cada quadro das histórias de Gerlach pode ser um desafio, mas ele parece jogar numa mesma panela de pressão os fumetti italianos, grafite e pixação das ruas, a paranóia da literatura de ficção científica pós K. Dick e uma visão totalmente desequilibrada de histórias de super heróis, adicionados de uma trilha sonora convulsiva, cheia de estática e uma opressivo calor que impregna todos os seus personagens e suas ações. Tem momentos soberbos e momentos em que é coisa demais para aguentar.

O melhor texto escrito sobre o trabalho, a estética e o traço de Diego Gerlach foi escrito pelo prórpio Diego Gerlach, e você que tem interesse (ou sente-se de alguma forma incomodado) por suas histórias em quadrinhos, deveria ler.

 

EDITORA BARBANEGRA E SELO CACHALOTE APRESENTAM: PLEXO HOLÍSTICO 

FORMATO: 21 x 30 cm
PÁGINAS: 22 páginas em P&A
PREÇO: R$15,00
ARTE: Diego Gerlach

 

VIBE TRONXA COMIX APRESENTA: ALVOROÇO 

FORMATO: 15 x 19 cm
PÁGINAS: 32 páginas em P&B
PREÇO: R$12,00 (com frete)
TEXTO e ARTEDiego Gerlach

 

Crowdfunding e a pré-venda.

Publicado por na categoria Destaque, Info, Texto ilustrado em September 16th, 2012

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Teria escrito este post mês passado, mas o Blog da Itiban (ótima loja de quadrinhos curitibana) fizera um bom trabalho com esse texto. De qualquer forma, não faz mal mais um post por aí falando sobre o assunto.

Minha idéia de Crowdfunding (ou Financiamento Coletivo) é de que os artistas colocam seus trabalhos em pré-venda, oferecendo ao seu público alguns outros bônus para quem puder  contribuir neste estágio de pré-produção.

Ou seja, é um investimento com 0% de chances de erro. Se o projeto atingir sua cota mínima de contribuições, o produto será fabricado e você o receberá em casa antes do que todo mundo, muitas vezes por um preço inferior ao de mercado e com alguns brindes (desde seu nome nos créditos até artes originais assinadas) de sobra. Se o projeto não atingir sua cota mínima, nem você, nem os artistas, perdem um real sequer. 

Um dos pensamentos mais danosos ao Crowdfunding (muito conhecido em anos de eleição) é a de pessoas que “preferem não contribuir para um projeto que está muito atrás nos números, decidindo-se por investir em produtos com cara de vencedor, que já estão quase nos 100% de arrecadação“. Essa idéia é estúpida. Se você tem vontade de ver aquele produto em suas mãos (e saiba que ele só existirá se você contribuir nessa espécie de pré-venda), tem o dinheiro necessário para o investimento e um tempo mínimo para divulgar a idéia entre seus amigos e conhecidos, a possibilidade fica bem mais perto da realidade, mesmo que ainda falte 50% do dinheiro em 2 dias. 

Alguns projetos nacionais bem sucedidos foram o coletivo Achados e Perdidos – que esteve em dezenas de listas das melhores HQs de 2011 -,a segunda temporada de  O Beijo Adolescente - do artista plástico e quadrinhista Rafael Coutinho -, a sempre confiável antologia Café Espacial #11 e a hilária paródia de um dos mais famosos animes de todos os tempos, Tirinhas do Zodíaco

Entre alguns projetos bem sucedidos e vários não financiados, o Crowdfunding é uma nova maneira de trazer arte e conteúdo em forma de um produto que você pode ter em suas mãos e todo mundo pode fazer parte disso com suas próprias novas idéias e talento ou simplesmente apoiando as novas idéias e talento de outros artistas. 

É muito importante notar que nenhum projeto vai pra frente sem mostrar talento artístico mínimo para entregar um produto de qualidade, então não tentem isso em casa se não tiverem confiança em seu próprio trabalho.

 

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Aqui nós separamos alguns projetos envolvendo o mundo das histórias em quadrinhos (clique no nome do projeto para ser direcionado):

 

Ryotiras Omnibus será um livro de 140 páginas reunindo as melhores (e outras inéditas) tiras de Ricardo Tokumoto, mais conhecido como Ryot. É um dos projetos que mais nos entusiasmou. 

 

Petisco HQ será uma coletânea de histórias inédias de cada uma das 7 séries que atualmente estão no ar, dentro do site do coletivo. Entre os artistas estão Mário Cau, Will, Cadu Simões, Daniel Esteves e Ana Recalde. 

 

Os Sketchbooks de Lourenço Mutarelli será exatamente o que o nome diz, um box com a reprodução de 5 sketchbooks do grande motherfucking Lourenço Mutarelli com mais de 400 páginas de rabiscos, estudos de personagens, histórias, tiras e muito mais. 

 

Livro Capa Preta será uma coletânea reunindo histórias dos designers e quadrinhistas Her Ming, Gustavo Ravaglio e Augusto Barbosa influenciados pelas revistas Fierro e Heavy Metal.  

 

Até Onde Você Iria? será uma curta de animação em Stop Motion sobre um absurdo game-show que virou mania nacional. A relação com os quadrinhos está na dupla que concebeu e roterizou o projeto, Allan Sieber e Cynthia B., ambos do estúdio de animação Toscographics Desenhos Animados (conhecidos por Deus É Pai, Trash Hour, Negão Bola Oito Talkshow e, futuramente, a Tosco TV).

 

Palhaços Tristes será o piloto de uma série (que também funciona como curta-metragem) sobre um mundo onde todos são palhaços. Apesar de usar atores de carne e osso, o enredo e o visual é todo baseado na HQ escrita e desenhada por Gabriel Mesquita (da Revista Samba) nas páginas da Prego. A série ainda conta com Lucas Gehre (mais conhecido como LTG, também da Samba) na direção de arte. 

 

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Fora esse meu post e o da Itiban, o assunto tem gerado MUITOS OUTROS TEXTOS pela internet, em jornais e revistas, o que é muito bom. Espalhe por aí, escreva seu próprio texto, apoie como for possível se for fã de algum (ou de todos) desses projetos. Se esqueci de algum que está ativo, por favor, lembrem-me nos comentários.

Ps. O Catarse é realmente o único site de crowdfunding que deu certo no Brasil ou temos outros bons exemplos?

PulaPirataCast #017 – Rafael Coutinho

Publicado por na categoria podcast em May 13th, 2012

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PulaPirataCast #017 – Rafael Coutinho

clique no banner para baixar o episódio

Palestrante da Bienal do Livro Amazonas, Rafael Coutinho, teve um bate-papo exclusivo com o PulaPirata. Conheça um pouco da história deste quadrinista independente em sua carreira junto com Presto e Mancha neste episódio de PulaPirataCast #017. 

 

Citados durante o episódio

Resenha “Irmãos Grim em Quadrinhos”

Resenha “Cachalote”

Resenha “Revista 1000″

Narval Comix

Compre sua Cachalote

Sugestões, críticas e comentários

Deixe seus comentários sobre o episódio neste post, ou envie um e-mail para contato@pulapirata.com

PulaPirataCast 017 – Rafael Coutinho

Faça o download do episódio clicando no banner do post. Você pode escutar aqui mesmo no pulapirata.com no tocador online abaixo:

 

Tocador online

Reviews#82 – Aparecida Blues (Biu/Stêvz)

Publicado por na categoria Reviews em December 1st, 2011

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Pobre e morto Alaor. Além de músico sem grandes perspectivas, seu coração foi fisgado por uma mulher casada e deficiente auditiva. Alguém chega lhe dizendo ter como ajudá-lo a conseguir tudo o que deseja, mas todos sabem que não é tão fácil assim. Sim, o mundo está indo pelo ralo, o inferno é aqui e o amor está cada vez mais perto de completar sua transição para uma entidade totalmente ficcional. Mas, quer saber? Foda-se!

É difícil alguém defender ou assumir um trabalho pretensioso hoje em dia. A palavra se vê amaldiçoada e relegada aos comentários negativos. Pois eu vejo Aparecida Blues como um trabalho de aparente simplicidade, porém cheio de pretensões e boas intenções, como todas aquelas que lotam o inferno. Mas não se preocupe, leitor desconfiado, você dará o braço a torcer nessa cândida história não linear de encontros, encruzilhadas e fugas – musicais, mentais, mortais.

O roteirista Biu e o quadrinista Stêvz – o primeiro residente e o segundo natural de Brasília, lugar seco, árido e surreal – criaram uma HQ polifônica que mergulha seus personagens de almas perdidas em um molho de fantasia, repetições, melancolia e filosofia de botequim. Sem pisar no freio em relação às referências visuais e musicais – citações ao músico e ensaísta José Miguel Wisnik, além de Daniel Johnston, Robert Johnson e ElvisAparecida Blues também tem uma alma (e montagem) cinematográfica, como um filme de David Lynch protagonizado por um triste Grande Otelo com um trompete na mão.

Um dos pontos mais interessantes do trabalho é a construção musical que dita o rítmo da história e uma trilha sonora imaginária ao leitor. Stêvz, que também é músico, forja cada compasso na distribuição de quadros em cada um dos segmentos.  Cada enquadramento é uma nota nada aleatória. Aliás, depois de ler a HQ pela terceira vez, constatei  que, mais do que uma novela gráfica, trata-se da serialização de várias historietas em quadrinhos (ou suites) de um mesmo universo se interligando em personagens e idéias.

Apesar da iconografia que lembra o mexicano Dia De Los Muertos, algumas referências norte-americanas e uma grande influência do movimento francês de criação sob restrições, OuBaPo, Aparecida Blues tem uma brasilidade incrustada no seu DNA (talvez por causa do leve e tragicômico traço), só poderia ser produzida aqui, onde a considero um dos melhores lançamentos do ano.

 

 

BELELÉU E EDIÇÕES FACADA ARESENTAM: APARECIDA BLUES
FORMATO: 16 x 23 cm
PÁGINAS: 112 páginas em P&B
PREÇO: R$27,00 (Frete Grátis)
ARTE: Stêvz
TEXTO: Biu

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Reviews#72 – Revista 1ØØØ #2/3/4 (DW Ribatski/Daniel Gisé/Tiago Elcerdo)

Publicado por na categoria Reviews em September 9th, 2011

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É muito bom ver que não só o público tem acordado para os quadrinhos autorais brasileiros dos quais nos tanto gostamos e tentamos apresentar para nossos leitores. Editoras grandes, de médio porte, pequenas e não-editoras. Quadrinhos de qualidade estão saindo por todos os lados aqui no Brasil, caso você ainda não tenha notado. E com essa torrente de lançamentos (não que tenhamos um mercado super bem estabelecido, mas em comparação com as décadas passadas, tudo vai muito bem), a lógica é que as coisas comecem a ficar cada vez mais interessantes. E mesmo que hoje em dia existam excelentes exemplos de quadrinhos totalmente financiados de maneira independente, é muito legal ver uma editora como a a Barba Negra (que tem a editora portuguesa Leya por trás) se aventurar em projetos pequenos, mas bastante significantes, como essa Revsita 1ØØØ, do selo Cachalote, comandado por Rafael Coutinho.

A idéia básica é que cada quadrinhista convidado apresente uma história curta, entre 16 e 32 páginas, sem textos, com uma tiragem de 300 exemplares custando R$ 10 cada, no lançamento (em algumas lojas, vendida a R$15,00). O dinheiro, diferente da prática comum no mercado, vai direto para o artista. Sim, o que temos aqui é algo muito parecido com os fanzines que você costumava comprar (ou passava os olhos), mas com artistas de certo nome e um bom (apesar de simples) acabamento. E como os fanzines, é um excelente showcase para esses artistas que tem poucos ou nenhum trabalho “solo” publicados, aqui distribuidos com o suporte de uma editora em franca ascensão. E isso significa que, se você não está interessado em comprar pela internet, pode encomendar através da sua livraria ou comic shop de opção.

Como não consegui encontrar o número 0001 (esgotada?), de autoria do próprio Rafael Coutinho, faremos uma curta análise dos 3 lançamentos seguintes. Como são histórias muito curtas, não me aprofundarei na análise para não estragar surpresas.

Começando pelo 0002, La Naturalesa, do músico e quadrinhista curitibano DW Ribatski. Por causa do uso de grandes quadros, tomando metade ou inteiramente cada página, parece ser a história mais curta, e também a que menos se importa em criar um arco dramático, sem demérito. Sua arte cheia de vazios cai como uma luva para que uma história surrealista não se perca em clichés, embora seja bastante percepitível a influência do filme “Anticristo“, do cineasta Lars von Trier.

O número 0003 é de autoria do ilustrador paulista Daniel Gisé, do qual tomei conhecimento pela primeira vez através das páginas da saudosa revista Sociedade Radioativa. Desvio poderia muito bem fazer parte de uma revista pulp norte-americana dos anos 50. Um homem comum é alvo de um atentado e perde a memória, mas talvez ele já estivesse predestinado a não ser a pessoa que sempre foi. Não só a história se passa nos 50s (aparentemente), como os desenhos e a ambientação logo nos remetem à época. Com uma pitada do neurótico Philip K. Dick, Gisé é o artista que, pelo menos nesses primeiros lançamentos, mais se aproveitou das poucas páginas para trabalhar sua narrativa, com grande sucesso.

Por último temos o 0004, Bebê Gigante, de Tiago ‘Elcerdo’ Lacerda. Sua belíssima arte cheia de rabiscos funciona perfeitamente para os tons grotescos que permeiam a história de um casal que cria um bebê encontrado numa floresta, alguns séculos atrás. O bebê tem um apetite fora do normal e isso causa uma série de acontecimentos que colocará uma cidade em revolta e destruirá uma família por completo. Uma história que parece tirada das fábulas dos Irmãos Grimm. Me pergunto por que ainda não conviradam o autor para um desses projetos que adaptam importantes livros para os quadrinhos que tanto se vê hoje em dia (muitos, infelizmente, com uma arte que deixa bastane a desejar).

As Revistas 1ØØØ contém histórias curtas de leitura rápida com baixo custo e não tentam ser outra coisa. Funciona como um bom mosaico da produção autoral nacional e te deixa ansioso pra ver o que os próximos lançamentos tem a mostrar. É mais uma pequena e instigante amostra do que nossos quadrinhistas são capazes. São mil possibilidades narrativas.

BARBA NEGRA E CACHALOTE APRESENTAM: REVISTA 1ØØØ

FORMATO: 21 x 30 cm
PÁGINAS: 16/24 páginas em p&b
PREÇO: R$10,00/R$15,00
AUTORES: DW Ribatski, Daniel Gisé, Tiago “Elcerdo” Lacerda.

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