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O trabalho do Gerlach apareceu pela primeira vez (pelo menos pra mim) durante a Rio Comicon de 2010 com seu Ano do Bumerangue, uma história pirata do famoso personagem Fantasma. O que à primeira vista parecia uma HQ de difícil digestão, se mostrou mais uma satisfatória evidência de uma recém descoberta da variedade estilística e narrativa de nossos quadrinhos independentes e/ou autorais. Seu traço pode ser troncho e tosco, mas é suplantado por um estilo formidável, enquadramentos instigantes e narrativas pouco convencionais que parecem ter mas lógica do que o seu usual nonsense.
Desde então, Gerlach tem se mostrado prolífico e proeminente, espalhando suas narrativas psicotrópicas por várias publicações. Em outubro de 2011, lançou seu número da Revista 1ØØØ, projeto dos selos Barba Negra e Cachalote. Com nas edições anteriores, Plexo Holístico nos traz uma história sem diálogos com pouco mais de 20 páginas. Aqui entramos diretamente num embate entre dois anti-heróis sobrenaturais que entram numa bizarra e bêbada peleja de rua, das mais corriqueiras pelos quatro cantos de Pinacoderal, o universo ficcional onde habitam a maior parte de seus personagens e suas histórias encharcadas de suor.
E faz todo sentido que Holismo seja o nome dado à abordagem que defende o entendimento integral dos fenômenos, em que as propriedades de um sistema completo não podem ser explicadas apenas pela soma de seus componentes. A curta história é de uma simplicidade explosiva e impactante que foge das tanta elipses de AdB. É também o momento em que seu traço parece se distanciar mais dos fanzines punks e chegar à uma confortável identidade madura, sem perder a feiura que lhe dá o charme.
Já em setembro de 2012, o autor estreou seu próprio selo (Vibe Tronxa Comix) com seu mais recente trabalho, Alvoroço, que traz de volta o personagem mais emblemático de Pinacoderal, o ogro tabagista Boy Rochedo, que apareceu anteriormente nas páginas da Revista Prego #4, também em 2010. Alvoroço é nada mais do que um diálogo entre a malandragem e a sociopatia se derretendo a cada página, com seu malemolente linguajar coloquial que por vezes faz ri mas também pode parecer pretencioso demais pra ter melhor impacto.
Apesar de ser um gibi massa e muito bem acabado, com uma arte cada vez mais bem resolvida e surreal, sofre de alguns males comuns como a verborragia que nem sempre engaja o leitor (talvez resultado de uma escrita automática) e ser uma pequena parte de uma história maior e aparentemente excitante que está se desenrolando, mas sozinha parece apenas uma interessante parte do quebra-cabeças.
Tentar decifrar cada quadro das histórias de Gerlach pode ser um desafio, mas ele parece jogar numa mesma panela de pressão os fumetti italianos, grafite e pixação das ruas, a paranóia da literatura de ficção científica pós K. Dick e uma visão totalmente desequilibrada de histórias de super heróis, adicionados de uma trilha sonora convulsiva, cheia de estática e uma opressivo calor que impregna todos os seus personagens e suas ações. Tem momentos soberbos e momentos em que é coisa demais para aguentar.
O melhor texto escrito sobre o trabalho, a estética e o traço de Diego Gerlach foi escrito pelo prórpio Diego Gerlach, e você que tem interesse (ou sente-se de alguma forma incomodado) por suas histórias em quadrinhos, deveria ler.
EDITORA BARBANEGRA E SELO CACHALOTE APRESENTAM: PLEXO HOLÍSTICO
FORMATO: 21 x 30 cm
PÁGINAS: 22 páginas em P&A
PREÇO: R$15,00
ARTE: Diego Gerlach
VIBE TRONXA COMIX APRESENTA: ALVOROÇO
FORMATO: 15 x 19 cm
PÁGINAS: 32 páginas em P&B
PREÇO: R$12,00 (com frete)
TEXTO e ARTE: Diego Gerlach









































