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Reviews#133 – The Walking Dead – A Ascensão do Governador (Robert Kirkman & Jay Bonansinga)

Publicado por na categoria Reviews em November 14th, 2012

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“- É melhor você superar essa postura de veadinho que foi protegido a vida inteira, começar a andar com as próprias pernas e rachar a cabeça de alguns zumbis, por que as coisas ainda vão piorar muito antes de melhorar!”

SINOPSE: No Universo de The Walking Dead não existe vilão maior do que o governador,o déspota que comanda a cidade de woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como “vilão do ano”, ele é o personagem mais controvertido em um mundo de dominado por mortos-vivos.

Criado em 2003 por Robert Kirkman em parceria com o desenhista Tony Moore, que posteriormente, infelizmente, foi substituído por Charlie Adlard (Tony Moore voltou a fazer suas contribuições nas capas a partir da edição #24), The Walking Dead veio para o mundo dos quadrinhos como uma maravilhosa surpresa e sucesso imediato de público e, logo após, de crítica, chegando a ganhar o Eisner Awards de 2010 de melhor série contínua, transpondo as mídias rapidamente para séries de TV e agora para romances. A história dos sobreviventes do apocalipse zumbi mais comentado dos últimos tempos, tendo seu protagonista o policial – ex? – Rick Grimes e sua família, junto com outros sobreviventes fez muita gente voltar suas atenções para o esquecido morto vivo que à muito tempo não tinha uma participação tão significativa no mundo do entretenimento.

Com a crescente atenção dada aos romances dos mundos de games, séries e algumas outras mídias, The Walking Dead não poderia ficar de fora por muito tempo e agora acaba de lançar no Brasil pela editora Galera Records o livro “The Walking Dead – A Ascenção do Governador”.

Para quem esta atualizado na série da HBO ou leu até o arco “A Melhor Defesa”, a partir da edição #25 da HQ, já pode se deparar com um dos melhores vilões dos últimos tempos: Phillip Blake, o Governador de Woodbury. Personagem bastante carismático, sádico e completamente, absurdamente, insano que usa sua posição privilegiada nesse mundo arrasado para impor sua forma de governar e controlar aqueles habitantes que, na falta de alguém melhor, acabam aceitando e até mesmo contribuindo com os absurdos presentes em sua cidade.

Capa do Quadrinho #01 de The Walking Dead

Capa do Quadrinho #01 de The Walking Dead

Nesse romance, escrito pelo próprio Robert Kirkman em parceria com Jay Bonansinga, já veterano do gênero, conhecemos a história desse personagem desde o começo do apocalipse até seu domínio de Woodbury, se tornando o personagem que conhecemos. Aqui não há spoilers para quem ainda não leu a HQ ou não chegou nessa parte da série de TV, por isso fiquem tranquilos e leiam sem medo.

Com o passar da leitura, conhecemos Phillip Blake como um ser humano tomado por um mundo caótico, toda a sua decadência na tentativa de sobreviver em parceria com seus dois amigos, seu irmão e sua filha pequena, e ate conseguimos compreender os motivos por trás de suas decisões, dando uma profundidade ao personagem bastante significativa. Contudo, a surpresa final do romance fica no limite de estragar o que seria uma leitura interessante e não me surpreendo se algumas pessoas não acharem a melhor decisão para o personagem, apesar de encontrarem ali argumentos significativos.

Acompanho o trabalho de Kirkman nesse mundo desde o inicio e devo ter parado de ler o quadrinho na edição #70 e alguma coisa, simplesmente por ter enjoado, e me surpreendi absurdamente com o primeiro episódio da série televisiva, mas acabei desanimando com o passar dos episódios. Digo isso por The Walking Dead ter se tornado refém daquilo que criou. Uma rotina.

Os zumbis não são significativamente perigosos quando você esta preparado para enfrenta-los e tem um pouco de calma. Podemos ver isso claramente quando até mesmo uma “mulher indefesa” tem a oportunidade de mata-los com uma barra de ferro pequena. O que da a tensão na história bem como deixa o morto vivo absurdamente perigoso, é o fato da zona de conforto criada a partir do momento que os personagens se sentem seguros o suficiente para seguirem suas vidas quase que como se nada daquilo tivesse acontecido ou estivesse acontecendo naquele momento. Isso é genial! Sendo franco e sem redundâncias, indo direto ao ponto.

Capa do Quadrinho #33 de The Walking Dead

Capa do Quadrinho #33 de The Walking Dead

Porém, quando isso acontece uma vez, duas, três, quatro… cinco… seis… sete… Isso se torna repetitivo e entediante. E não basta mudar os personagens. A partir do momento que você já conhece e identifica a “fórmula”, as coisas começam a ficar realmente iguais. Nesse ponto não só o romance acompanha a rotina e deixa algumas oportunidades de desenvolvimento escaparem pelos dedos.

SPOILER: (selecione com o cursor para o texto ficar visível) por mais justificado que seja, a inversão de papeis do Brian com o Phillip após a morte do segundo é um tanto forçada. Em 355 páginas vemos Brian como um bebe chorão sendo incapaz de matar uma mosca para no final ele se tornar algo completamente diferente após dois parágrafos e meio. Não foi algo criado devagar, onde você percebe que ali tem alguma fagulha anarquista e predatória. Não! Ele simplesmente muda de personalidade completamente como uma transformação metamórfica. A polarização oposta dos irmãos é forte e de uma hora para outra o protagonista cai morto enquanto o coadjuvante não cresce, mas simplesmente assume aquela personalidade como uma fantasia. Achei isso um pouco bizarro e por mais que “faça todo o sentido”, não me surpreendo se alguém comentar dizendo que não gostou.

Apesar da critica acima, o livro é excelente naquilo que ele se propõe. Dando mais profundidade a um dos personagens mais marcantes da série. Para os que conhecem pouco do gênero e da série e para aqueles que estão no hype da obra, não há melhor recomendação. Em todo caso, gostaria de conhecer o outro lado do mundo ou até mesmo um futuro daquilo que já existe. Continuar apostando nessa fonte ate seca-la completamente vai tornar a série algo chato e absurdamente cansativo.

EDITORA GALERA RECORDS APRESENTA: THE WALKING DEAD – A ASCENSÃO DO GOVERNADOR

FORMATO: 23 x 16 cm
PÁGINAS: 364 páginas em brochura.
PREÇO: R$29,70 (Promoção na Saraiva – Compre no Link Abaixo)
TEXTO e ARTE: Robert Kirkman & Jay Bonansinga

Reviews#129 – Wolverine Noir (Stuart Moore & C.P. Smith)

Publicado por na categoria Reviews em November 1st, 2012

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- Meu nome é Jim Logan, sou um detetive particular. E pela oitava vez no dia de hoje, estou pensando em assassinar meu sócio.

Eu não acho correto criticar quando alguma coisa, independente da mídia em que ela for lançada, é julgada como algo simplesmente “para fazer dinheiro”. É bem óbvio que é para fazer dinheiro! Não há absolutamente nada no mundo dos negócios que possa ser considerado altruísta, quiçá no mundo inteiro. Em todo caso, há o respeito e a honestidade com o público para aquele que a obra se destina, bem. No caso de remakes, reboots e afins, há também o respeito pela própria obra e pelo seu verdadeiro autor.

Nesse caso, Wolverine Noir consegue dar uma singela pincelada no que poderia sim ser uma grande obra do personagem mais carismático de toda a franquia “super” da editora, mas se perde na liberdade poética de Stuart Moore e C. P. Smith.

Sinopse: Jim Logan, da agência de detetives Logan & Logan, é o melhor naquilo que faz. E a femme fatale Mariko Yashida sabe disso muito bem. Na cidade a negócios, Mariko contratou a proteção de Logan, que rapidamente descobrirá que dinheiro algum no mundo será capaz de proteger sua cliente de seu inimigo, Victor Creed! Reinterpretado sob a estética noir pelo roteirista Stuart Moore e pelo ilustrador C.P. Smith, o mutante mais famoso da Marvel estrela uma aventura repleta de reviravoltas e suspense, na qual as coisas não são necessariamente o que parecem.

Desde já quero deixar bem claro algumas coisas. Na review da edição anterior da série, Homem Aranha Noir, pude pincelar o que seria a intenção da obra. Levar seus mais famosos super heróis, ou grupo deles, para os anos de 1900 em busca do vislumbre de como seria se naquele mundo existissem heróis com tamanho poder. Nessa mesma primeira review cometi uma gafe ao supor que a origem desse personagem em questão, o Wolverine, não seria necessariamente modificada, haja vista que o mesmo viveu durante aquela época.

Bom, com o passar do tempo, tive oportunidade de ler X-Men Noir (quem sabe no futuro haverá uma review) e agora Wolverine Noir. Posso lhes dizer que não há obstáculo algum nos roteiristas, além do óbvio, com relação à origem de cada um deles. Acrescente ai à inexistência dos poderes ou a transformação deles em feitiçaria do “novo mundo” ou bizarrices e você irá sair frustrado com bastante certeza. Com o Logan não seria tão diferente. Logan hoje é um detetive particular, filho de pais ricos, sócio de seu amigo de infância, que é uma peça fundamental de algum passado obscuro que irá se desenvolver durante a HQ.

Existe uma estética e um roteiro padrão digno de Dick Tracy que envolve todas as histórias de detetives Noir - ou a grande maioria delas – que por ter sido tão repetida no passar dos anos, além de ficar previsível, tornou-se cansativa e descartável. Aqui, Stuart Moore faz exatamente como manda o gibi e, sem tirar nem por, simplesmente adapta de uma forma um tanto preguiçosa toda a origem do mutante para esse cenário.

A arte também não ajuda muito. Com a paleta escura, C. P. Smith algumas vezes acerta bem no alvo e outras utiliza as sombras com exagero, tirando o brilho dos olhos do leitor e dificultando qualquer apreciação pela obra como um todo.

Não gosto de ser arauto de más notícias e fico triste em afirmar que Wolverine Noir não é tudo o que poderia ser. A grande verdade é que lemos essas histórias de quadrinhos devido as diferenças dos SUPER heróis para os “simples” heróis e é ingenuidade acreditar que eles sobreviveriam (ao público) sem aquilo que lhe personifica. Ver o Wolverine não sendo o Wolverine o tornou chato, previsível além de bastante entediante e revoltante. Por mais que a série se dedique a extrair esse tipo de história, acho que depois de três leituras da série posso dizer que ela esta equivocada desde o conceito e hoje esteja atirando pedras em uma “vítima” do contrato. Os autores.

A Panini, apesar de tudo, trás aqui mais um trabalho com a qualidade já conhecida na edição de seus produtos. Inserindo em uma capa dura, todas as primeiras edições da série e mais diversos extras no final de tudo. O preço da obra pode aumentar a justificativa em adquiri-la. Ela fica bem bonita na estante.

FORMATO: 26 x 17 cm 
PÁGINAS: 104 páginas em Cores 
EDITORA: Panini Books
PREÇO: R$15,90
TEXTO e ARTEStuart Moore & C.P. Smith 

Reviews#127 – Lucille (Ludovic Debeurme)

Publicado por na categoria Destaque, Reviews em October 24th, 2012

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“Não como daquela vez, algum tempo mais tarde… Quando, numa madrugada, um sonho perturbador força a menininha a sair de seu quarto para procurar o reconforto que sua mãe costumava lhe oferecer em casos parecidos. Foi violento encontra-la no corredor, sentada sobre um banquinho. Seu pai em uma posição que demonstrava para a pequena, sem que ela soubesse o porquê, mas de forma exata, que ele não lhe pertencia mais.”

Sinopse: Lucille é uma jovem insatisfeita com seu corpo, sua casa, sua falta de amigos, seu relacionamento com a mãe e sua vida toda. Não parece haver coisa alguma que a faça feliz. Arthur é filho de um pescador e parece não ter muitas perspectivas na vida além de seguir os passos de seu pai. Mas, de alguma forma, as tragédias pessoais dos dois jovens os levam para um mesmo lugar.

Lançado em outubro de 2011, Lucille veio para o Brasil já como vencedor. Desde a capa já temos um belo adesivo com a informação: “Prêmios 2006-2007 René Goscinny Angoulême” e juntando isso com uma arte de capa incrível, não há muitos argumentos que nos impeça de folhear e adquirir esse exemplar de 544 páginas da obra de Ludovic Debeurme.

Já tem algum tempo que percebi uma rotina nos meus gostos por quadrinhos. Simplesmente me coloque em frente a algum quadrinho com uma quantidade generosa de páginas, junte isso a uma arte simples e monocromática por dentro e tons pasteis de capa e como um passe de mágica me verá saindo com posse de um dos exemplares da loja.

Aconteceu isso com Umbigo sem Fundo, com Retalhos, com Habibi, com Cicatrizes e algumas dezenas de outros mais. Não sei bem o motivo, mas acho incrível a habilidade que alguns quadrinistas tem em se expressar de forma simples, mas ainda sim tão profunda. Ok, talvez Retalhos e Habibi do Craig Thompson não sejam o tipo de arte que podemos chamar de simples. Mas, de modo geral, acho que deu para me entender.

Nesse ponto de qualidade artística, Lucille ganha milhares de louvores, visto a habilidade de seu autor e o conceito utilizado nessa obra. De forma incrível, Debeurme nos mostra duas facetas opostas em diversos pontos da obra. Seja no caráter simplista de sua expressão gráfica em oposição à profundidade dramática que seus dois personagens vivem, seja na virada rápida das páginas em oposição à vida monótona dos personagens ou na liberdade espacial do quadrinho sem quadros à reclusão e depressão solitária da história. Cabe aqui um espaço para citar o filme Elephant de 2003 do Gus Van Sant como um exemplo em diferente mídia daquilo que gostaria de expressar.

Aqui temos a perspectiva de dois jovens personagens que levam o drama existencial adolescente a níveis épicos Shakespearianos, o que me da certo alívio em olhar para trás e me sentir vitorioso por ter passado por aquela época sem traumas ou sequer metade daqueles problemas. Lucille e Arthur são retratados como um extremo exemplo dos que são afastados do meio “social comum” por serem diferentes ou estranhos daqueles que são tão estranhos quanto, porém conseguem reprimir ou esconder essas diferenças em busca de uma aceitação e inserção nesse meio. A expectativa que se cria dos acontecimentos e a reviravolta final da obra são obras primas e de total mérito do autor.

Da mesma forma que se manteve, Debeurme coloca o ritmo constante em sua narrativa até finalizar com uma singela frase: “Ludovic Debeurme, dez.2005 – Fim da primeira parte” encerrando aqui uma das histórias mais comoventes que tive a oportunidade de ler em todos esses anos. A simplicidade, devo ter repetido essa palavra diversas vezes nessa resenha, e a humildade com que ele apresenta a história me cativou com sinceridade e me deixa ansioso pela segunda parte ainda sem previsão de lançamento no Brasil, mas que já foi lançado na França em 2011 com o nome de Renée e torço para que a LeYa / Barba Negra tenha a mesma disposição em nos trazer essa obra com a mesma qualidade e simplicidade da primeira. Uma grande salva de palmas para todos os envolvidos por que eles, com absoluta certeza, merecem.

 

FORMATO: 22,5 x 17 cm

PÁGINAS: 544 páginas em P&B

PREÇO: R$54,90

AUTOR: Ludovic Debeurme 

EDITORA: LeYa / Barba Negra

LANÇAMENTO: 2005 (França) / 2011 (Brasil)

Reviews#124 – Conan: A Filha do Gigante do Gelo / A Mercê dos Hiperbóreos (Kurt Busiek & Stewart Dave)

Publicado por na categoria Reviews em October 11th, 2012

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– Não conseguirá escapar de mim! – rugiu o cimério – Se isso for uma armadilha, empilharei os cadáveres de seus guerreiros a seus pés! E não tente se esconder, pois derrubarei cada montanha até lhe encontrar! Vou segui-la, nem que tenha de ir até o inferno!

Em janeiro desse ano, nós do Pulapirata fizemos uma promoção envolvendo uma edição histórica (MUITO FODA) de Conan. A resenha dessa edição pode ser lida aqui.

Saindo um pouco de todo o texto introdutório do personagem, quero crer que quem chegou aqui antes leu a resenha ali em cima, em 2004, Kurt Busiek (Astro City) em parceria com os desenhistas Cary Nord e Thomas Yeates, mais o colorista premiado Dave Stewart e apadrinhados pela editora Dark Horse fizeram do relançamento de Conan um dos maiores eventos do ano.

Aqui em “Conan: A FILHA DO GIGANTE DO GELO”, somos apresentados aos textos originais de Robert Howard ganhando vida nas mãos dos artistas mencionados, criando um novo começo para esse Gigante de Bronze. Nunca tive a oportunidade de ler os romances na integra, apenas algumas passagens e diversos quadrinhos do personagem. Em todo caso, apesar de óbvio o que vou falar, a narrativa passada para os quadrinhos perde bastante diálogo e da o lugar para a imagem. Se há algo de correto naquele ditado: “uma imagem vale mais que mil palavras”, podem dizer que aqui eles acertam em cheio. Cada imagem parece uma obra de arte incrível.

As cores apresentadas, grande parte em tons pastéis e arrisco dizer aquarelado, são lindas se você puder perder alguns segundos da história observando-os. Chega a ser um bônus. É fácil compreender por que Dave Stewart é premiado. Particularmente achei Genial.

Todavia os desenhos me decepcionaram um pouco em alguns sentidos. Sempre achei que Conan fosse um quadrinho adulto, e não digo isso só pelo sangue, mas pela “humanidade” apresentada de forma nua e crua em uma época onde as barbáries eram comuns e a vida era tratada como lixo. Na segunda metade da história conseguimos ver um pouco mais de ousadia, talvez, dos desenhistas em nos mostrar um pouco mais de sangue e nudez, mas, ainda sim, sem detalhes que o tirariam da classificação de uma “obra de arte” para o que eu prefiro compreender do que se trata um quadrinho de Conan. Quero deixar claro que isso é uma questão de opinião e não necessariamente qualitativa da obra.

Através do velho conceito de brucutu, onde um puro pedaço de ferro bem afiado pode mudar o destino de uma nação, acompanhamos o começo do Cimério em uma jornada que o levará no final à conquista de um reino. Do momento em que ele acaba de deixar sua terra natal, o encontro dele com a filha do Deus Ymir (essa parte em especial é absurdamente incrível) e sua chegada a terra dos Hiperbóreos, onde as coisas não são bem como ele fantasiava nas histórias que seu avô contava.

Devo dizer, tendo a obra em mãos, que se Robert Howard tivesse sequer um vislumbre sobre o que sua obra se tornaria nas mãos de pessoas que realmente possuem um carinho pelo personagem fariam, ele não teria o fim que teve. A edição de luxo lançado pela Mythos Editora aqui no Brasil conta com as edições de zero a seis dos lançamentos originais lá fora, capa dura, papel de qualidade e bônus, incrível, no final onde podemos ler uma reportagem biográfica de Howard, um caderno de esboços e um teste que aprovou Cary Nord como desenhista dessa nova empreitada. Acredito porém que uma fonte um pouco maior das caixas de narrativa, que usam uma fonte semelhante às antigas máquinas de escrever, tornaria mais agradável à leitura. Pode ser um pouco desconfortável.

Recomendo e assino embaixo de qualquer um que estiver interessado em se aventurar por essa HQ. Aguardo ansioso pelo Vol. 02.

Titulo: CONAN: A FILHA DO GIGANTE DO GELO

Editora: MYTHOS BOOKS

Autor: KURT BUSIEK (ROTEIRO) STEWART DAVE (ARTE)

Preço: R$ 62,91 (PREÇO PROMOCIONAL)

Número de Páginas: 196 (CAPA DURA) / 18,50cm x 27,50cm

Data de Lançamento: SETEMBRO 2012

Reviews#122 – Habibi (Craig Thompson)

Publicado por na categoria Reviews em October 5th, 2012

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Ironicamente falando, um dos autores de maiores sucessos da década passada nunca esteve presente pelo PulaPirata. Essa review de Habibi vem para, entre outras coisas, fazer jus a esse autor. Craig Thompson.

Talvez algumas pessoas não concordem de eu elencar esse autor como um dos de maiores sucessos haja vista que o mesmo só tem quatro publicações feitas até hoje (incluindo ai Habibi). Mas não tem como não falar que em 2004, ano que ele lançou Retalhos (não há review ainda, mas corrigirei este erro num futuro próximo), foi o grande ano de sua vida profissional. Digo isso pela quantidade de prêmios que essa obra recebeu naquele ano, deixando uma penca de fãs e críticos a espera de um grande trabalho desde então. Essa espera foi longa, sete anos, mas acabou e hoje podemos nos deliciar com Habibi, uma das melhores leituras do ano sem dúvida alguma.

Vamos à sinopse: “…saga de dois escravos fugitivos, unidos e separados pelo destino, vivendo no limite que separa a tradição da descoberta. Dodola, uma garota perspicaz e independente, foge de seus captores levando consigo um bebê. Eles crescem juntos no deserto, sozinhos em um navio naufragado na areia. Em meio a sentimentos cada vez mais conflitantes, os dois passam o tempo contando histórias. Assim, somos apresentados também à origem do islamismo e de suas tradições, conforme as narrativas se combinam numa trama de aventura, romance, filosofia e tragédia. Para contar a saga de Dodola e Zam, Craig Thompson recorreu ao Corão e às Mil e uma noites…”

Como podemos ver, o islamismo é bem presente nessa HQ. Não li todos os trabalhos de Thompson, mas posso dizer que em Retalhos ele sempre tem como um dos temas principais a religião. Poderia eu estar sendo injusto em dizer que o ponto mais forte de Thompson seja seu traço, muitas vezes psicodélico, a ponto de se tornar muito complicado de compreender, e sincero. Aqui não há nada desnecessário ao mesmo tempo que não há nada econômico. Em especial nessa obra, posso afirmar sem medo que a qualidade justifica a demora da publicação não só pelo traço, mas por toda a pesquisa feita pelo autor sobre a religião islâmica (mais detalhes no final do livro). Saindo desse devaneio digo injusto devido ao cuidado absurdo de roteiro e desenvolvimento de personagens que ele é faz. A intimidade que conhecemos os personagens é tamanha e nos deixa tão próximos de seus pensamentos, vontades, desejos, histórias, que sempre termino sua obra quase que criando novos amigos.

Nesta HQ, Thompson nos apresenta Dodola, criança viúva em um país islâmico, e Zam, uma criança negra escrava desde o nascimento, duas “criaturas” completamente subjulgadas e oprimidas pela realidade em que vivem que conseguem fugir de onde vieram e passaram a sobreviver juntos, em um barco encalhado no deserto. Dodola na época com 14 anos e Zam com 6, salvo algum engano, acabam estabelecendo uma relação de mãe e filho onde Dodola se esforça frequentemente em busca de alimento para os dois enquanto ensina seu “filho” contando histórias e mais histórias.

É muito fácil criar um paralelo com “Mil e Uma Noites” para essa HQ. Todas as histórias são retiradas do Corão e no decorrer das histórias as duas personagens criam uma semelhança muito interessante, mas sem retirar a  liberdade poética do autor para adequa-la a sua realidade. Apesar da vontade, falar muito mais sobre a história em sí pode acabar dando spoilers desnecessários para essa resenha.

Existe um ponto negativo nessa obra que talvez seja a responsável por eu não coloca-la no mesmo patamar de Retalhos e algumas outras obras. Além da narrativa caótica, não consigo começar aquela história sem imaginar se passar em uma época muito antiga, como 400 anos atrás. Não por algum preconceito existente, mas pela contextualização que é mostrada. Porém somos surpreendidos frequentemente com alguns diálogos que mostram que na verdade estamos em época muito mais próxima da atual. Relógios, mecanismos, represas, arranha céus e outras coisas aparecem de forma abrupta e não acharia estranho no final se o Ronaldinho não passasse por ali jogando bola. A tradução também pecou em algumas gírias na versão nacional. Acredito que a versão original não de esse mesmo sentimento.

Particularmente falando, mesmo com esse ponto negativo é fácil recomendar essa obra. Para muitos não conhecedores de HQ, que imaginam existir histórias só de super heróis ou infatis, Habibi pode se tornar um grande tapa na cara sendo muito mais profundo, emocionante e impactante que qualquer obra de outra mídia. A edição nacional foi lançada pela Companhia das Letras, como sempre com ótima qualidade.

 

AUTORES: Craig Thompson

TRADUÇÃO: Érico Assis

ILUSTRAÇÕES: Craig Thompson

FORMATO: 18,3 x 23 

PÁGINAS: 672

ANO DO LANÇAMENTO: 2012 (Brasil) / 2011 (EUA)

I.S.B.N.: 9788535921311

Review#112 – O Fantasma de Canterville (Oscar Wilde/Seán Michael Wilson e Steve Bryant)

Publicado por na categoria Reviews em June 15th, 2012

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Quando uma criança de coração puro conseguir
Tirar dos lábios pecaminosos uma prece,
Quando a estéril amendoeira florescer,
Quando dos olhos puros brotar uma lágrima,
Esta casa ficará para todo o sempre tranqüila,
A Graça voltará a Canterville.

Sinopse: A família norte-americana Otis ganha mais do que uma pechincha quando se muda para a imponente mansão inglesa de Canterville. Mesmo que se recusem a acreditar nos rumores, a mansão é de fato assombrada. O fantasma de sir Simon Canterville tem percorrido seus salões e corredores por cerca de trezentos anos…

Eu estou “on fire” essa semana. Como uma critica ao patriotismo, Oscar Wilde (1854 – 1900), escritor irlandês, cria em O fantasma de Canterville um choque entre o novo e o velho mundo durante o século XIX. Pai do que posteriormente foi chamado de “comédia de horror gótico”, Oscar Wilde se formou como um eclético dramaturgo tendo criado diversos clássicos britânicos como “O Leque de Lady Windermere”, “Uma Mulher sem Importância” e “Um Marido Ideal e a Importacia de ser Prudente”, além de contos infantis como “O Principe Feliz”e “O Rouxinol e a Rosa” (escrito para seus filhos) e um único romance chamado “O Retrato de Dorian Gray”.

Em “O Fantasma de Canterville”, obra já adaptada para diversos formatos pelo mundo, Seán Michael Wilson repete quase que na íntegra toda a obra desse conto de Wilde, tendo como o braço artístico o ilustrador Steve Bryant. Lançado no Brasil pela Companhia Editora Nacional em 2012, integra um catálogo de títulos Infantojuvenis da editora que contém um quadro com obras clássicas como “A Ilha do Tesouro”, “Moby Dick”, “Os Três Mosqueteiros” e outros mais.

Neste quadrinho, conhecemos a família Otis, que vieram para a Inglaterra por motivos diplomáticos onde encontram na antiga residência Canterville uma excelente mansão com o preço bastante acessível por existirem boatos de que o local é assombrado pelo Sir Simon Canterville. Um antigo senhor que sumiu após o assassinato de sua esposa e nunca mais foi visto.

Entre falhas e mais falhas, Sir Canterville começa a perceber que aquela família não é normal, afinal eles estão pouco ligando para manchas de sangue no piso ou barulhos de correntes durante a madrugada. Aparições fantasmagóricas então!? Merecem travisseirada em armadilhas preparadas pelos gêmeos Otis. Dessa forma, Sir Canterville começa a perceber que seus dias como o Famoso Fantasma de Canterville estão acabados e se mete em um beco sem saída.

Durante a leitura podemos perceber dois grandes altos e baixos. Um ponto alto, com certeza, é o roteiro que é quase que integralmente passado para as páginas desse quadrinho. Oscar Wilde não é um dos grande nomes da literatura por um acaso. Mesmo se tratando de uma estória de mais de 100 anos de existência, há ali muito a ser estudado. Penso que o quadrinho perdeu algo que particularmente gosto muito, que é a narrativa. Durante o conto, Wilde nos acrescenta muitos fatos da história sem criar novos parágrafos ou histórias paralelas, utilizando sabiamente as “vírgulas” do seu texto. Isso foi perdido durante a adaptação, infelizmente. Por exemplo o trecho do conto a seguir:

“Porém, na ocasião em que se entranhavam na alameda do Parque Canterville, o céu cobriu-se subitamente de nuvens, uma calma estranha pareceu envolver a atmosfera, um bando de gralhas passou silenciosamente por cima deles e, antes que houvessem atingido a casa, começaram a cair grossas gotas de chuva.
Uma mulher já idosa acolheu-os no alto dos degraus. A maneira como se apresentava era irrepreensível. Envergava um vestido de seda preta, avental branco e touca desta mesma cor. Era Mrs. Umney, a governanta. Mrs. Otis, a pedido de Lady Canterville, consentira em conservá-la a seu serviço. Quando puseram pé em terra, ela fez a cada um dos seus novos amos uma rasgada vênia e disse, com solenidade já desusada:
- Desejo que sejam bem-vindos ao Parque Canterville.”

Eu acho sensacional!

Como nem tudo são flores, a qualidade gráfica dessa HQ deixa muito a desejar. Não saberia dizer o motivo, mas a impressão que nos passa é de que falta um grande trabalho de um “arte finalista” para dar mais vida às páginas do quadrinho. Algumas cenas, parece, estamos vendo bonecos de cera, sem emoção, em outras já há um trabalho de qualidade muito superior, me deixando curioso se o que faltou foi tempo ou saco para que Steve Bryant fizesse que o trabalho formasse uma unidade.

O Fantasma de Canterville, contudo, me parece uma excelente maneira que poderíamos ter em passar grandes obras para os jovens leitores em colégios. Me daria ao menos uma nova percepção do que eu poderia encontrar na biblioteca. Vendo a coleção da Companhia Editora Nacional só me leva a pensar como seria mais legal se eu tivesse lido “O Alienista” dessa forma.

AUTORES: Oscarl Wilde

ADAPTAÇÃO: Seán Michael Wilson

ILUSTRAÇÕES: Steve Bryant

FORMATO: 18 x 26 

PÁGINAS: 135 

ANO DA EDIÇÃO: 2012 





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