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“- É melhor você superar essa postura de veadinho que foi protegido a vida inteira, começar a andar com as próprias pernas e rachar a cabeça de alguns zumbis, por que as coisas ainda vão piorar muito antes de melhorar!”
SINOPSE: No Universo de The Walking Dead não existe vilão maior do que o governador,o déspota que comanda a cidade de woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como “vilão do ano”, ele é o personagem mais controvertido em um mundo de dominado por mortos-vivos.
Criado em 2003 por Robert Kirkman em parceria com o desenhista Tony Moore, que posteriormente, infelizmente, foi substituído por Charlie Adlard (Tony Moore voltou a fazer suas contribuições nas capas a partir da edição #24), The Walking Dead veio para o mundo dos quadrinhos como uma maravilhosa surpresa e sucesso imediato de público e, logo após, de crítica, chegando a ganhar o Eisner Awards de 2010 de melhor série contínua, transpondo as mídias rapidamente para séries de TV e agora para romances. A história dos sobreviventes do apocalipse zumbi mais comentado dos últimos tempos, tendo seu protagonista o policial – ex? – Rick Grimes e sua família, junto com outros sobreviventes fez muita gente voltar suas atenções para o esquecido morto vivo que à muito tempo não tinha uma participação tão significativa no mundo do entretenimento.
Com a crescente atenção dada aos romances dos mundos de games, séries e algumas outras mídias, The Walking Dead não poderia ficar de fora por muito tempo e agora acaba de lançar no Brasil pela editora Galera Records o livro “The Walking Dead – A Ascenção do Governador”.
Para quem esta atualizado na série da HBO ou leu até o arco “A Melhor Defesa”, a partir da edição #25 da HQ, já pode se deparar com um dos melhores vilões dos últimos tempos: Phillip Blake, o Governador de Woodbury. Personagem bastante carismático, sádico e completamente, absurdamente, insano que usa sua posição privilegiada nesse mundo arrasado para impor sua forma de governar e controlar aqueles habitantes que, na falta de alguém melhor, acabam aceitando e até mesmo contribuindo com os absurdos presentes em sua cidade.
Nesse romance, escrito pelo próprio Robert Kirkman em parceria com Jay Bonansinga, já veterano do gênero, conhecemos a história desse personagem desde o começo do apocalipse até seu domínio de Woodbury, se tornando o personagem que conhecemos. Aqui não há spoilers para quem ainda não leu a HQ ou não chegou nessa parte da série de TV, por isso fiquem tranquilos e leiam sem medo.
Com o passar da leitura, conhecemos Phillip Blake como um ser humano tomado por um mundo caótico, toda a sua decadência na tentativa de sobreviver em parceria com seus dois amigos, seu irmão e sua filha pequena, e ate conseguimos compreender os motivos por trás de suas decisões, dando uma profundidade ao personagem bastante significativa. Contudo, a surpresa final do romance fica no limite de estragar o que seria uma leitura interessante e não me surpreendo se algumas pessoas não acharem a melhor decisão para o personagem, apesar de encontrarem ali argumentos significativos.
Acompanho o trabalho de Kirkman nesse mundo desde o inicio e devo ter parado de ler o quadrinho na edição #70 e alguma coisa, simplesmente por ter enjoado, e me surpreendi absurdamente com o primeiro episódio da série televisiva, mas acabei desanimando com o passar dos episódios. Digo isso por The Walking Dead ter se tornado refém daquilo que criou. Uma rotina.
Os zumbis não são significativamente perigosos quando você esta preparado para enfrenta-los e tem um pouco de calma. Podemos ver isso claramente quando até mesmo uma “mulher indefesa” tem a oportunidade de mata-los com uma barra de ferro pequena. O que da a tensão na história bem como deixa o morto vivo absurdamente perigoso, é o fato da zona de conforto criada a partir do momento que os personagens se sentem seguros o suficiente para seguirem suas vidas quase que como se nada daquilo tivesse acontecido ou estivesse acontecendo naquele momento. Isso é genial! Sendo franco e sem redundâncias, indo direto ao ponto.
Porém, quando isso acontece uma vez, duas, três, quatro… cinco… seis… sete… Isso se torna repetitivo e entediante. E não basta mudar os personagens. A partir do momento que você já conhece e identifica a “fórmula”, as coisas começam a ficar realmente iguais. Nesse ponto não só o romance acompanha a rotina e deixa algumas oportunidades de desenvolvimento escaparem pelos dedos.
SPOILER: (selecione com o cursor para o texto ficar visível) por mais justificado que seja, a inversão de papeis do Brian com o Phillip após a morte do segundo é um tanto forçada. Em 355 páginas vemos Brian como um bebe chorão sendo incapaz de matar uma mosca para no final ele se tornar algo completamente diferente após dois parágrafos e meio. Não foi algo criado devagar, onde você percebe que ali tem alguma fagulha anarquista e predatória. Não! Ele simplesmente muda de personalidade completamente como uma transformação metamórfica. A polarização oposta dos irmãos é forte e de uma hora para outra o protagonista cai morto enquanto o coadjuvante não cresce, mas simplesmente assume aquela personalidade como uma fantasia. Achei isso um pouco bizarro e por mais que “faça todo o sentido”, não me surpreendo se alguém comentar dizendo que não gostou.
Apesar da critica acima, o livro é excelente naquilo que ele se propõe. Dando mais profundidade a um dos personagens mais marcantes da série. Para os que conhecem pouco do gênero e da série e para aqueles que estão no hype da obra, não há melhor recomendação. Em todo caso, gostaria de conhecer o outro lado do mundo ou até mesmo um futuro daquilo que já existe. Continuar apostando nessa fonte ate seca-la completamente vai tornar a série algo chato e absurdamente cansativo.
EDITORA GALERA RECORDS APRESENTA: THE WALKING DEAD – A ASCENSÃO DO GOVERNADOR
FORMATO: 23 x 16 cm
PÁGINAS: 364 páginas em brochura.
PREÇO: R$29,70 (Promoção na Saraiva – Compre no Link Abaixo)
TEXTO e ARTE: Robert Kirkman & Jay Bonansinga
























































