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Conheça Juliet Arguti, uma linda e inteligente malabarista que forma, ao lado de suas irmãs Beatrix, Rebeca e Catarina, as Arguti Sisters, a principal atração do Juliet Circus, fundado e comandado por seu avô, Augusto Arguti. Juliet faz parte da trupe desde criança, foi criada em meio ao caos do picadeiro e não conhece outra vida. Tudo o que aprendeu foi através de suas viagens ou de seus companheiros, seja em sua educação escolar, sentimental ou sexual. E é este último ítem o mais explorado pelo artista gráfico paulista Victor Diógenes em seu primeiro álbum em quadrinhos, lançado no início de 2012 pela Conrad Editora.
Comparações com a obra do influente Milo Manara são praticamente inevitáveis. Mas não só pela temática e por rechear suas páginas de mulheres – com rostos muito parecidos – exuberantes e semi-nuas, à procura de sua independência sexual. Tal qual o artista italiano, Diógenes destila o pouco conteúdo de sua história em roteiros cheios de elementos fantásticos e com algumas pinceladas de ficção científica.
Também não é o caso de dizer que ele esquece da história para focar nas garotas. Há claramente um esforço incomum de se criar um universo vivo e orgânico, com uma rica mitologia da família Arguti, do Juliet Circus e do enigmático e único Parque Lola, além de uma boa quantidade de personagens com personalidade suficiente para ter o que dizer. O problema é que o balanço entre as idéias interessantes e descartáveis pende mais pro lado negativo e todas as situações e labirintos parecem explorados pela metade. De todos os personagens com potencial apresentados na história, poucos passam de meros artifícios para alguma peripecia de Juliet e sua meia-irmã Beatrix.
O visual digital bem trabalhado e ultra colorido de Diógenes talvez seja o ponto que mais divida opiniões. No que diz respeito à essa resenha, não posso dizer que é dos meus favoritos, por sua extrema artificialidade, lembrando alguma esquecida HQ kitsch dos anos 70. Todo o realismo fantástico que a história tenta invocar parece deslocado, estrangeiro aos quadros, que entre si parecem estar arranjados de maneira tosca. É estranho também notar que 90% das personagens femininas são quase indissociáveis, enquanto o character design dos personages masculinos seja talvez o que de mais interessante o autor ponha no papel, principalmente nas máscaras.
Juliet Circus é uma história de liberação emocional e sexual que não chega a ser tão inteligente ou tão sensual quanto tenta parecer. Como um trabalho que se apresenta como erótico, deixa muito a desejar tanto no que mostra quanto no que esconde. Como uma HQ, é cheia de pontos positivos e negativos em quase todos os quesitos, o que a torna – aos meus olhos – uma obra curiosa e interessante, apesar de decepcionante. Juliet pode funcionar como uma Pin Up, mas não convence como uma personagem em seu próprio universo. Uma das raras vezes em que não recomendo um lançamento da Conrad.
FORMATO: 21 cm x 27 cm
PÁGINAS: 72 páginas coloridas
PREÇO: R$35,90
TEXTO & ARTE: Victor Diógenes
















