Reviews#189 – Baratão 66 (Bruno Azevêdo, Luciano Irrthum)

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De dia todas as mulheres da cidade enchem a agenda do Baratão 66, um respeitadíssimo estabelecimento de depilação íntima que tem trazido inovação ao mercado com seus produtos e formatos especiais. À noite, os namorados, maridos, pais e filhos dessas mulheres lotam o segundo andar do mesmo ambiente a partir do momento em que a luminária externa sofre uma pequena alteração e passa a se chamar Baratão 69, a melhor casa de tolerância das redondezas, onde todo mundo é bem vindo e bem servido, desde o taxista ao governador. No meio disso tudo está o núcleo familiar da viúva Dona Dadá (née Darcilene) e suas filhas Margarida e Francinete, além dos dois paus-pra-toda-obra – literalmente – Bozo e Marleninha, cada um lutando com unhas, dentes e delicadas camadas de manipulação pra conseguir o seu prórpio ideal de felicidade.
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Margarida sonha em fazer o seu negócio de depilação prosperar e abrir uma filial da Piu Piu para que sua mãe possa se aposentar e sua irmã Francinete e a secretária Marleninha possam deixar a vida como profissioanais do sexo de lado. De noite as duas fazem de tudo para continuar no serviço até encontrar um homem rico e fazem de tudo para agradar a Dona Dadá, que por sua vez é totalmente devota ao marido – morto durante a guerra – e precisa do corpo do capataz homossexual Bozo para se comunicar com o falecido. A narrativa segue um efeito dominó hilário e bizarro, onde os sonhos de todos parecem se fundir para afundarem todos juntos num sujíssimo mar de brutalidade.
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O escritor maranhense Bruno Azevêdo não foge de uma boa intriga familiar salpicada com sacanagem para todos os gostos e embrulhada num pacotinho de surrealismo político e social, apostando num exagero xulo que nunca fuge de seu controle (de sua autoria, recomendo muito o romance erótico de banca para donas de casa A Intrusa, com ilustrações de Eduardo Arruda). Além de usar a abusar de referências disconexas, mas engraçadíssimas (Peanuts, José Sarney, Vera Fischer, etc.), Azevedo tem uma desenvoltura muito natural para excelentes diálogos – principalmente de Marleninha – e também para compor um casting de personagens à margem da sociedade que caminham entre o heroísmo e o vilanismo sem a menor preocupação ou vacilo. Já o artista plástico e ilustrador mineiro Luciano Irrthum traz seu traço caótico, torto e explicitamente grotesco, desenvolvido ao passar por dezenas de fanzines nas últimas décadas, mas arrojado por toda uma estética de ilustrações de cordel que casa perfeitamente com essa fauna que está diante do tabuleiro. Cada detalhe, cada pelo pubiano ou partes íntimas de homens ou mulheres ganha um tratamento especial que te suga para dentro da história com paixão ou repulsa.
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Demorei a ler o Baratão 66, acho, por que não gostei da capa (mais tarde descobri, que há duas diferentes). Ao folhear pela primeira vez o livro, a arte caótica e troncha, além de um tema que superficialmente me remetia a um Jorge Amado escrevendo um cordel diretamente do inferno (não que isso faça sentido), deixaram minha curiosidade em banho maria. Mas numa segunda e despretenciosa folheada, sem o intuito de ir até o fim, foi só ler a primeira frase para saber que eu não largaria a leitura até a última página. “Com cu ou sem cu, minha senhora”?
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BELELÉU & PITOMBA APRESENTAM: BARATÃO 66

FORMATO: 14 x 21 cm
PÁGINAS: 192 páginas em Pantone Roxo
PREÇO: R$35,00 (Valor Recomendado pela Editora)
ARTE: Luuciano Irrthum
TEXTO: Bruno Azevêdo.

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Reviews#174 – Friquinique (Elcerdo, Stêvz, Rafael Sica e Eduardo Medeiros)

Destaque, Reviews

FriquiniqueEm meados de 2010 o Friquinique chegou ao mundo em forma de webcomics semanais dentro da programação do site IdeaFixa. Eduardo Medeiros, Rafael Sica, Elcerdo e Stêvz, quatro desenhistas com poucas semelhanças entre si, mas que já haviam abordado a temática geral em seus trabalhos solo, conseguiram criar uma bonita e desajeitada coerência em suas historietas sobre a vida ordinária de pessoas com algum tipo de aberração física – na maior parte das vezes, os freaks circenses. Semana a semana, as tiras e ilustrações foram se solidificando, criando ramificações narrativas e algumas boas piadas gráficas – fossem classudas ou cafagestes.

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Seis meses depois, as postagens chegaram a um hiato que nunca foi encerrado e nos anos seguintes sempre se ouvia a especulação de que uma coletânea do material seria lançado por alguma editora. Essa encarnação do livro nunca chegou às prateleiras, mas em novembro de 2013, a publicação foi repensada e lançado de forma totalmente independente, com o maior capricho que era possível.

5friquenique04-06A primeira coisa que se nota é o excelente projeto gráfico, incluindo uma estranha e bela capa dura em tinta prateada de autoria de Sica e o maciço pôster de Stêvz, que envolve o livro e se camufla como sobrecapa. Da diagramação, ao peso, ao uso do papel polén bold 90g, marcador de cetim, encadernações, os detalhes editoriais e todo o acabamento cuidadoso. Um projeto fora do padrão comum de independentes e também das grandes editoras. Um ótimo presságio.

sica-frique19Mas esse cuidado todo só causaria uma tremenda decepção se o conteúdo interno não estivesse acima da média. Somados ao material que já estava disponível online – com grande destaque para as cartunescas aventuras agridoce dos desajustados circences de Eduardo Medeiros – os quatro artistas trataram também de produzir novos seguimentos originais que dão mais ênfase às narrativas um pouco mais prolongadas do que as simples gags cômicas. Essas pequenas histórias são distribuídas em 4 zines encartadas, que se tornaram o coração do livro ao criar pequenos contos sem diálogos e autênticos, fugindo da maior parte dos tipos de clichê que se poderia construir com essa temática.

stevz10-polvo-copyRafael Sica – uma inseminação artificial entre Gorey e Zimbres – e o multifacetado Stêvz parecem ser os que menos pretendem sair de sua zona de conforto, já que boa parte de seus trabalho já lidava com: (Sica) o dia-a-dia de seres herméticos e kafkianos; (Stêvz) com o humor seco de rimas e livre associação, além de uma espécie de submundo fantástico, suado e calejado, com um sorriso amarelo no rosto. Ambos repletos de ironias. Mesmo assim, não deixam de impressionar e divertir, página à página. A HQ encartada de Sica é de uma construção única, confusa e de grande beleza com o inconfundível ruído que sempre acompanha cada um de seus quadros. Elcerdo nos trás uma pincelada européia ao conjunto, também sendo o único a explorar bem o lado perverso/divertido da sexualidade entre os freaks. Seu encarte é o mais simples e ao mesmo tempo doloroso de todos. Já Eduardo Medeiros aponta para os lados cartunescos carregados de melancolia e de uma certa ingenuidade apaixonada. O seu traço, em si, já vem à página carregado de um entusiasmo contagiante e as inter-relações dos personagens de suas tiras são, pela falta de uma palavra melhor, fofas.

03_eduardo-medeiros_friquiniqueFriquinique é uma das raras edições verdadeiramente de luxo dos quadrinhos nacionais independentes e, apesar de seu valor um tanto elevado, a qualidade da edição e do conteúdo está à altura (ou até um pouco acima). E se você estiver desconfiado ou sem grana, pode comprar separadamente cada um dos zines encartados no livro, por preços bem camaradas. Mais uma bola super dentro da Beleléu

 

LEIA UM PREVIEW DO FRIQUINIQUE

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REVISTA BELELÉU APRESENTA: FRIQUINIQUE

FORMATO: 20 x 23 cm
PÁGINAS: 192 páginas em cores.
PREÇO: R$69,90 (Preço Sugerido)
ARTE e TEXTO: Eduardo Medeiros, Rafael Sica, Estêvão “Stêvz” Vieira, Tiago “Elcerdo” Lacerda.

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Dicas de Natal do PulaPirata para 2012!

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Ilustração do Elmanchez – http://www.elmanchez.net/

Como o título deixa escapar [SPOILER ALERT], aqui estão algumas dicas do que você pode comprar para encher a pessoa amada de alegria – e de quadrinhos. A lista foi compilada por Porco, Presto e Kbsa, para VOCÊ que deixou para comprar de última hora (como 95% dos brasileiros), indicando algumas das HQs que mais gostaram de ler nesse ano, tanto as lançadas no Brasil quanto importadas.

Mas se você achar que deixamos algo de fora – claro que ficou muita coisa de fora –  use o espaço para comentários e deixe suas próprias dicas. Na real, o intuito desse post, como no ano passado, é lembrar aos leitores e desavisados de que – sim – Histórias em Quadrinhos são ótimos presentes de Natal.

 

HABIBI – CRAIG THOMPSON – COMPANHIA DAS LETRAS

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ComentárioCraig Thompson é um dos maiores quadrinistas de todos os tempos. A gastrite aumenta só de esperar seu próximo lançamento. (Kbsa)

 

  

VAMPIRO AMERICANO - SNYDER / ALBUQUERQUE/ KING – PANINI COMICS

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Comentário: ISSO QUE EU SEMPRE ESTIVE FALANDO! ISSO É QUE SE CHAMA VAMPIRO! (Kbsa)

 

 

FRACASSO DE PÚBLICO: DESENCONTRO DE TITÃS – ALEX ROBINSON – GAL EDITORA

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Comentário: É sempre doloroso dar adeus às coisas que você gosta. Alguém irá morrer nesse quadrinho! (Kbsa)

 

 

CONAN: O LIBERTADOR – ED. HISTÓRICA – VÁRIOS ARTISTAS – MYTHOS EDITORA

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ComentárioA edição história e gigante (500 páginas) digna do cimério e que não pode faltar nas opções de quem pensa em dar um bom presente para alguém. (Kbsa)

 

 

FIERRO BRASIL #2 – VÁRIOS ARTISTAS – ZARABATANA BOOKS

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ComentárioSegunda edição da Revista Argentina com cartunistas brasileiros convidados. Quadrinhos de primeira! (Presto)

 

  

NOVA YORK – WILL EISNER – COMPANHIA DAS LETRAS

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ComentárioConheça um pouco da cidade que foi perturbada pelo Sandy através de diversas histórias do grande Mestre Will Eisner. (Presto)

 

 

DIOMEDES – LOURENÇO MUTARELLI – COMPANHIA DAS LETRAS

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Comentário: Acompanhe as investigações do Detetive Diomedes nessa belíssima edição que junta os quatro premiados álbuns que estavam fora de catálogo. (Presto)

 

 

CELEBRATING PEANUTS: 60 YEARS  - CHARLES SCHULZ  - IMPORTADO 

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ComentárioSe quiser emocionar o felizardo, essa é a escolha certa! Esse compilado gigante traz as tirinhas do Charlie Brown e sua turma ordenadas por dia e ano de publicação(Presto)

 

 

DORA – IGNACIO MINAVERRY – ZARABATANA BOOKS

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Comentário
Linda HQ argentina sobre crescer e achar sua própria identidade durante o pós-guerra na Europa. Uma das narrativas mais gratificantes do ano. (Porco)
 

  

BOURBON STREET: VOL. 1 – CHARLOT/CHABERT – 8INVERSO EDITORA

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Comentário: Jazz, New Orleans, amores passados, álcool, festa, sucesso, estrada e fracassos. A primeira parte da HQ francesa Bourbon Street encanta mais a cada re-leitura. (Porco)

 

 

M O N S T R O S – VÁRIOS ARTISTAS – EDITORA BELELÉU

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Comentário: A quantidade de excelentes cartunistas já chama a atenção, mas suas interpretações para um mundo cheio de monstros em meio à atos ordinários que valem o preço. (Porco)

 

 

O INCRÍVEL CABEÇA DE PARAFUSO – MIKE MIGNOLA – EDITORA NEMO

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Comentário: Uma das HQs mais engraçadas e charmosas do grande Mike Mignola, que parece totalmente recarregado de idéias a cada página. Mesmo para quem não gosta de Hellboy. (Porco)

 

 

PINÓQUIO – WINSHLUSS – GLOBO LIVROS

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Comentário: Nada me deixou tão impressionado esse ano como o trabalho do ilustrador e animador francês Winshluss. É ver (e comprar) para crer(Porco)

 

 
O BABACA – GARY PANTER – A BOLHA EDITORA

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Comentário: Uma das primeiras HQs do Gary Panter (se não conheçe, use o google) é seu primeiro lançamento no Brasil, num formatinho imperdível, bonito/tosco e barato. Curto e grosso! (Porco) 

 

  

CIDADES ILUSTRADAS: SÃO LUÍS – FÁBIO MOON & GABRIEL BÁ – CASA 21

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Comentário: O mais novo livro da excelente e necessária coleção que convida grandes artistas a retratar de seu próprio modo as mais importantes cidades brasileiras, dessa vez com os gêmeos mais famosos dos quadrinhos dando sua visão da capital do Maranhão. (Porco)

 

 

 = BONUS TRACKS – OUTRAS SUGESTÕES QUE TEM OU NÃO A VER COM HQs =

 

 

CAMISETAS O CAPITÃO

Camisetas exclusivas e oficiais dos Piratas do Tietê, do Laerte.

 

 

  

CALENDÁRIO PINDURA 2013

Pindure em sua parede o mais recente aparato para contagem dos dias do ano®, com ilustrações de muita gente foda e formato perpétuo onde cada combinação de dia/mês/ano cria novas histórias.

 

 

 

 

LIVRO “GIGANTES DO JAZZ”

A história do Jazz contada de maneira despretensiosa por Studs Terkel. Contém ilustrações do artista brasileiro Virgílio Neto.

 

 

 

CANECAS CUSTOMIZADAS DE SAMUEL E RAQUEL CASAL

Modelos de canecas com estampas viscerais dos artistas Samuel e Raquel Casal.

 

 

 

BONÉS DA REVISTA PREGO

Bonés com arte de Pietro Luigi.

 

 

 

 

 

DVD DO CURTA METRAGEM “CONFINADO”

DVD do curta metragem de Rafael Lobo, uma história entre o terror e o humor.

 

 

 

 

CARTEIRAS DE VINIL ELCABRITON COM ESTAMPA DO MAGENTA

Carteiras lindonas com estampas de um dos criadores da pequena notável HQ “EP”.

 

 

 

 

CAMISETA ALVEJADOS

Camiseta supimpa com estampa do Diego Gerlach.

 

 

 

 

CD E VINIL DA BANDA MALBEC

As músicas da Malbec estão disponíveis no site da Banda, e pra quem gostou eles disponibilizaram CD e Vinil para venda. Entre no site deles e envie uma mensagem com seu pedido.

 

 

 

Reviews#136 – Monstros (Beleléu / Vários Artistas)

Reviews

Os monstros também têm sentimentos, acordam cedo para o trabalho, brigam com as esposas e pagam aluguel. Em homenagem a eles, convidamos diversos autores para montar um breve panorama desse cotidiano chato e tedioso. Os monstros somos nós, ocupados, insensíveis e sem tempo para as sutilezas do dia-a-dia.

Enquanto não lançam o aguardado segundo número da Revista Beleléu - que deve ficar para 2013, ao que tudo indica – o coletivo de quadrinhistas radicados no Rio de Janeiro acabaram se transformando numa pequena editora independente com projetos dos mais interessantes e bem diversificados, como foi o caso de Aparecida Blues e Se a Vida Fosse Como a Internet, além de suas serigrafiasposters colaborativos e o já anunciado Calendário Pindura 2013.

Pensando justamente em manter este caráter colaborativo aceso, iniciaram uma série de ilustrações denominada Monstros em 2009, trazendo artistas variados como – nossos favoritos - Allan Sieber, Fabio Lyra, Gabriel Góes, Gomez, Rafael Sica e Pablo Mayer, além dos donos da casa, Elcerdo, Daniel Lafayette, Eduardo Arruda e Stêvz. Agora reunidos num livrinho esperto e bem editado, Monstros Beleléu (não confundir com o novo livro de Gustavo Duarte) é um projeto especial e difícil de classificar, mas muito fácil de se entender o apelo.

Não se trata de uma tradicional antologia de histórias em quadrinhos, mas sim da reunião de alguns dos melhores nomes dos quadrinhos brasileiros ilustrando suas divertidas versões alternativas de perversas criaturas, geralmente em seus momentos de lazer, sufoco ou privacidade, como todo ser vivo que tem que pagar suas contas. Para completar, cada uma das páginas é somada a uma frase/poeminha do Stêvz que acaba complementando e criando uma certa narrativa em junção com cada uma das ilustrações.

Como colecionador e crítico (sic) de histórias quadrinhos, eu confesso que o roteiro sempre me atrai muito mais do que o traço. Por isso, livros de ilustração não costumam encontrar espaço na minha prateleira, salvo uma ou outra idéia bacana e fora da caixinha, como é o caso de Os Sketchbooks de Lourenço Mutarelli, Zombies Hate Stuff e este Monstros Beleléu, que mantém uma coerente qualidade ao longo de suas 74 páginas, mesmo com artistas tão diferentes entre si.

 

 

EDITORA BELELÉU APRESENTA: MONSTROS

FORMATO: 14 x 16 cm
PÁGINAS: 76 páginas em Cores.
PREÇO: R$29,90
ARTE: Allan Sieber, Andrei Duarte, Daniel Carvalho, Eduardo Arruda, Eduardo Medeiros, Elcerdo, Fábio Lyra, Gabriel Góes, Gabriel Mesquita, Gomez, Lafa, Leo Gibran, LTG, Stêvz, Márcio de Castro, Pablo Mayer, Plinio Fuentes, Rafael Sica, Renato Alarcão, Rômolo, Santolouco.
TEXTO: Stêvz.

 

Leia o Preview através do ISSUU

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Reviews#82 – Aparecida Blues (Biu/Stêvz)

Reviews

 

Pobre e morto Alaor. Além de músico sem grandes perspectivas, seu coração foi fisgado por uma mulher casada e deficiente auditiva. Alguém chega lhe dizendo ter como ajudá-lo a conseguir tudo o que deseja, mas todos sabem que não é tão fácil assim. Sim, o mundo está indo pelo ralo, o inferno é aqui e o amor está cada vez mais perto de completar sua transição para uma entidade totalmente ficcional. Mas, quer saber? Foda-se!

É difícil alguém defender ou assumir um trabalho pretensioso hoje em dia. A palavra se vê amaldiçoada e relegada aos comentários negativos. Pois eu vejo Aparecida Blues como um trabalho de aparente simplicidade, porém cheio de pretensões e boas intenções, como todas aquelas que lotam o inferno. Mas não se preocupe, leitor desconfiado, você dará o braço a torcer nessa cândida história não linear de encontros, encruzilhadas e fugas – musicais, mentais, mortais.

O roteirista Biu e o quadrinista Stêvz – o primeiro residente e o segundo natural de Brasília, lugar seco, árido e surreal – criaram uma HQ polifônica que mergulha seus personagens de almas perdidas em um molho de fantasia, repetições, melancolia e filosofia de botequim. Sem pisar no freio em relação às referências visuais e musicais – citações ao músico e ensaísta José Miguel Wisnik, além de Daniel Johnston, Robert Johnson e ElvisAparecida Blues também tem uma alma (e montagem) cinematográfica, como um filme de David Lynch protagonizado por um triste Grande Otelo com um trompete na mão.

Um dos pontos mais interessantes do trabalho é a construção musical que dita o rítmo da história e uma trilha sonora imaginária ao leitor. Stêvz, que também é músico, forja cada compasso na distribuição de quadros em cada um dos segmentos.  Cada enquadramento é uma nota nada aleatória. Aliás, depois de ler a HQ pela terceira vez, constatei  que, mais do que uma novela gráfica, trata-se da serialização de várias historietas em quadrinhos (ou suites) de um mesmo universo se interligando em personagens e idéias.

Apesar da iconografia que lembra o mexicano Dia De Los Muertos, algumas referências norte-americanas e uma grande influência do movimento francês de criação sob restrições, OuBaPo, Aparecida Blues tem uma brasilidade incrustada no seu DNA (talvez por causa do leve e tragicômico traço), só poderia ser produzida aqui, onde a considero um dos melhores lançamentos do ano.

 

 

BELELÉU E EDIÇÕES FACADA ARESENTAM: APARECIDA BLUES
FORMATO: 16 x 23 cm
PÁGINAS: 112 páginas em P&B
PREÇO: R$27,00 (Frete Grátis)
ARTE: Stêvz
TEXTO: Biu

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