Cyril Pedrosa é um autor francês que conquistou público e crítica com Três Sombras, mas ele quase desistiu da carreira de quadrinista antes da conclusão da HQ. Depois de trabalhar por anos em animações da Disney (os chatos Hércules e O Corcunda de Notre-Dame) e se ilustrar roteiro de outros escritores, veio a oportunidade de lançar seu primeiro trabalho autoral, Les Cœurs solitaires (Os Corações Solitários), um grande fracasso de 54 páginas. Em crise profissional, Pedrosa só seguiu em frente por que havia uma história que ainda precisava contar – precisar, no sentido de fazer para se liberar daquilo. Alguns anos antes, um casal de amigos seus perdeu um filho ainda bem jovem e Cyril acompanhou aquele momento tenso e deprimente, pensando ele também na vida de seu filho, com a mesma idade. Mas como passar uma tragédia de pessoas tão próximas para o papel? O caminho que o autor achou foi o de uma fábula de alcance universal.
Em Três Sombras, um casal de camponeses, Louis e Lise, e seu filho pequeno, Joachim, vivem afastados de tudo e de todos, existindo na mais pura tranquilidade e subsistência bucólica. Uma vida realmente utópica. Até o momento em que três criaturas aladas que não revelam seus rostos começam a rondar a propriedade da familia em noites de neblina. Primeiro tratados como viajantes corriqueiros, as três sombras exercem uma pressão psicológica insustentável para a família, que vai se desestabilizando. Contrariando as órdens do marido, Lise viaja até a degradada cidade mais próxima, afim de encontrar respostas com anciã Suzette, que lhe diz que as sombras vieram atrás de seu filho.
E aqui começa a jornada que Pedrosa realmente queria contar, mostrando até que ponto um pai pode chegar para ter certeza de que seu filho estará à salvo. No meio dessa jornada – ou uma fuga, como preferir – o mundo que está lá fora, feio, sujo, traiçoeiro e sempre surpreendente. Louis e Joachim tentam se distanciar dos perseguidores mantendo o bom humor e a idéia de que tudo vai dar certo por que é assim que tem que ser. O que torna tudo ainda mais triste.
A história, como toda fábula, é simples, para que todos tenham uma fácil compreensão, mas os desenhos só parecem simples. A técnica de Pedrosa com o pincel seco (aprendi aqui) é de uma beleza única e, conforme a história vai ficando mais sombria e atmosférica, seu traço também se torna imponente e dominador.
FORMATO: 15,8 x 21,5 cm
PÁGINAS: 272 páginas em P&B
PREÇO: R$39,50
TEXTO & ARTE: Cyril Pedrosa
TRADUÇÃO: Carol Bensimon


























